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1/13/2005


Bruno Moreschi direto de Buenos Aires conta uma história que nunca termina:

.::Triste América Latina::.

Todas as quintas as maes dos filhos desaparecidos na ditadura argentina choram e exigem explicacoes. Desde 1978 elas querem saber: (1) Quem matou seus filhos? (2) Quem ordenou a matanca? (3) E por que?

Tudo isso eu já sabia pelos livros de História, pelas aulas da querida professora Nelma e através do velho guia de viagem que carrego na minha viagem ao Cone Sul. Mas quando o teórico vê a aula passar diante dos seus olhos, a sensacao é praticamente indescritível. Vou tentar escrever.

Quando cheguei na Plaza de Mayo poucas pessoas tiravam fotos da Casa Rosada, da Catedral e do Museu Cabildo. Mas a cerca em volta da casa do presidente e a multidao de policias indicavam que em breve alguma coisa iria acontecer.

Eles foram descendo a Avenida Bolívar e invadiram a praca. Eram piqueiros, os desempregados argentinos que diariamente protestam contra a situacao economica. Eram pobres, muito pobres. Durante alguns poucos e inflados anos viveram um sonho europeu, hoje comem pao e água do diabo como qualquer típico latinoamericano. E depois que se experimenta vinho, nunca mais se quer beber suor.

Nas bancas da regiao o ministro Lavagna anunciava na capa do jornal Clarín: vamos dar o calote mesmo. Mas a notícia nao acalmava a multidao. Muitos deles nao sabem ler jornais.

Em seguida chegaram 18 senhoras com lencos brancos na cabeca. Montaram uma barraca, os turistas europeus compraram broches e camisetas. Poucos minutos depois, a volta comeca. As madres da Plaza de Mayo rodeam o monumento da praca. Enfileiradas, elas seguram uma faixa: No al pago de la deuda externa.

- Si no pagan, porque pidan - fala sozinho um conservador.

Eu me aproximo de duas madres. Anida usa um batom vermelho que mancha seus dentes. Beba, um óculos que quase preenche a cara. A semelhanca: Anida perdeu Antonio e Alberto, seus dois filhos ex-revolucionários, e Beba viu seu filho Pablo morrer com um tiro na cabeca.

Elas contam que nao querem vinganca, querem justica.
Elas revelam que nao tem mais esperanca em receber respostas dos militares.
Elas juram que vao protestar todas as quintas até o dia de suas mortes.
Elas justificam a atitude, porque um povo nao pode perder sua memória histórica.
Elas me abracam e mandam lembrancas para minha mae. Uma mae de sorte, segundo elas, porque dorme todos os dias com sensacao de ter vivo aquilo que pariu.

Eu sento na grama e escuto os choros daquelas senhoras.

A coisa é uma grande reuniao de círculos dentro de círculos.

No pontilhado externo: a repressao silenciosa dos policias.
No circulo maior: a nao mais esperanca dos piqueteiros numerosos e invisíveis.
No circulo médio: as madres provando que injustica é marca histórica na America Latina.
No circulo menor rodeado de pombos: o monumento da Praca.

Olhando tudo com um sorriso sarcástico, uma bandeira da Argentina hasteada na Casa Rosada. Contam que quando ela assim está, o presidente trabalha.

Mas nem nos círculos, nem nos pombos, nem na fortaleza real há esperanca. Só há sangue que foi ou será derramado.



.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 7:27 PM ::