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2/27/2005


Blog em mutação...
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 5:29 PM ::



2/26/2005


A arte de não falar nada (4)

Quando o nosso presidente fala demais, acusa o governo anterior de corrupção sem ter provas e faz pronunciamentos no mais puro improviso, o seu despreparo imenso em lidar com o cargo aparece.

Lula não conhece algo chamado assessoria. Fala o que bem entende como se estivesse conversando com amigos no bar.

Era uma vez um aluno qualquer que precisava apresentar um trabalho escolar. Dias antes, escreveu sua apresentação, listou os tópicos principais e, antes de dormir, treinou na frente do espelho. Por que o presidente não pode fazer o mesmo e apresentar a sua tarefa escolar de uma forma mais séria?
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:14 PM ::



2/25/2005


Que tal uma camiseta nova, blogueiro?

www.cafepress.com/bloggerwear
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:02 AM ::






Muito discurso estraga uma boa imagem.
Para ver os vencedores do prêmio de fotografia World Press 2004, clique aqui.
Detalhe: quem ganhou na categoria Notícias gerais foi um brasileiro.
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 12:33 AM ::



2/20/2005



Loque Albergue espanhol

Trata-se da história de Xavier, um estudante francês que decide fazer um intercâmbio em Barcelona no último ano de sua graduação. Lá ele mora em um apartamento com outros seis estudantes, cada um de um lugar na Europa.

O filme não é bom só porque possui aquele gostinho adolescente de Anos Incríveis e ótimas interpretações. Mais do que isso, Albergue espanhol é um filme que consegue uma façanha: mostrar os jovens como eles realmente são.

Chamo isso de façanha, porque geralmente o cinema mostra os jovens como uma mistura freak de Jackass com Beavis an Butt-head (veja qualquer comédia norte-americana estúpida) ou como um bando de drogados (Réquiem para um sonho). Em Albergue espanhol, eles bebem, se divertem, mas também precisam estudar e, ocasionalmente, dar um jeito nos problemas doméstico, como a falta de eletricidade.

Além disso, o filme não deixa de ser o retrato de uma Europa que luta por uma identidade única.
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 4:54 PM ::



2/16/2005


Somos todos marionetes de um sistema que não deu certo, um sistema que mesmo todos sabendo que não é certo, todos usamos. Não falo que o socialismo é completamente correto, e nem que o capitalismo é completamente errado. Falo sobre uma sociedade capitalista com influência socialista, uma sociedade que absorva o melhor dos dois sistemas.

A mensagem foi postada por um hacker brasileiro na página do novo filme de Steven Spielberg, A Guerra dos mundos. O invasor se intitula como Un-Root (desenraizado) e sua manisfetação política foi documentada pelo site Zone-H.org.

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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:47 PM ::



2/11/2005


O PT comemora 25 anos com poder, rebeldias internas e uma mudança ideológica que o presidente do partido, José Genoino, nega nas entrevistas.

Após enfrentar as reformas tributária e da previdência, o partido discute mais um tema polêmico: a autonomia do Banco Central.

O deputador Chico Alencar prevê que o assunto "será uma grande guerra".
E o ministro José Dirceu promete que a autonomia não vai ser discutida este ano. É o medo de perder mais aliados para a releeição de Lula.

Na internet:

A autonomia do Banco Central e a gelatina diet
Márcio G.P. Garcia, professor de Economia da PUC-Rio, defende a idéia.

Banco Central precisa ser autônomo do eixo de poder financeiro
O professor e economista Paulo Nogueira Batista Jr. desconstroi premissas "universais" que envolvem a autonomia do BC.
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:13 PM ::



2/09/2005


Folha de São Paulo (08/02):

Blogs políticos conquistam cada vez mais adeptos e leitores

Nelson de Sá

Começa quase sempre como um site, um lugar para armazenar artigos, ensaios, para memória. Mas aí o autor "posta" um breve comentário -e passa a gostar. Relata o professor da FGV-SP e ex-ministro de FHC Luiz Carlos Bresser-Pereira: "Eu vi que podia fazer com facilidade algumas observações. Opinar sobre alguns assuntos de que não estou disposto a tratar longamente. E achei divertido."

Assim nasce o blog. No caso do senador e ex-ministro de Lula Cristovam Buarque, não foi diferente. Passados três meses, ele diz que alguns comentários seus "não têm repercussão nenhuma", mas outros têm "muita": "Por exemplo, quando morreu aqui [em Brasília] um menino por causa dessas injeções de anabolizantes, eu fiz uma mensagem provocando a juventude. Por que esse deslumbramento com o corpo chega ao ponto do suicídio? "O problema é que a "experiência muito gratificante" do blog, para Buarque, também "consome muito tempo". Para Bresser-Pereira, nem tanto. "Eu faço isso muito rapidamente", diz.

Os dois ex-ministros estão longe de ser as estrelas do fenômeno dos blogs no Brasil.O país foi surpreendido, no final do ano passado, com o anúncio da "Deutsche Welle" -a "BBC" alemã- de que três blogueiros brasileiros estavam entre os melhores do mundo, segundo votação de usuários.

Um deles foi o próprio "melhor weblog" de todos, "Por um Punhado de Pixels", de Nemo Nox. Ainda que a premiação da DW, a exemplo do que ocorreu com o "Orkut", tenha sofrido uma invasão brasileira, que chegou a um terço da votação, o prêmio foi um marco.Para Nox, pseudônimo de um publicitário de Santos que hoje vive em Washington (EUA) e insiste em não divulgar o nome, "foi uma surpresa", porque a concorrência era de "blogs famosos".

Entre os dez finalistas, apontados por júri da DW, estavam celebridades blogueiras como os americanos Boing Boing e Wonkette.Para alguns blogueiros locais, como o colunista da "Revista da Folha" Pedro Dória, do "Nomínimo Weblog", do Rio, "o Brasil é um dos poucos países no mundo em que os blogs fazem parte da vida na internet", citando ainda EUA, Grã-Bretanha, Irã.Já Nox lembra que na premiação da DW tinha de tudo, blog chinês, russo, árabe. E no Brasil, sublinha ele: "Quantidade existe, sem dúvida. Qualidade, creio que seja como em outros países: só uma pequena percentagem se destaca."O blog de Dória está nessa minoria, citado pelo próprio Nox e por outros. Começou como uma coluna sobre web no site "No.", depois "Nomínimo".

Há dois anos e meio virou blog de vez."Eu achava que tinha pego a manha da mídia, mas a coisa dos comentários em blog foi absolutamente desbundante. Eu descobri a internet de novo", diz Dória.Dória concorda com Nox que "o Brasil não conseguiu produzir bons blogs em quantidade, sobretudo do ponto de vista informativo. Mas alguns apareceram."O "Blog do Colunista", do jornalista Ricardo Noblat, foi outro vencedor dos BOBs, a premiação da DW, na categoria "melhor blog jornalístico em português". (O terceiro vitorioso do Brasil, na categoria "melhor temática", foi o Estraga Filmes).

O brasiliense "Blog do Colunista" completa um ano no mês que vem e Noblat, ex-"Veja" e "Correio Braziliense", quer mais do que prêmio:"Eu vou fazer um ano de trabalho de graça, para o chamado povo brasileiro. Dinheiro que é bom, nada. Por enquanto, as contas são pagas por dona Rebeca, minha mulher."Ele diz que começou "acidentalmente", que imaginava um blog como "diário de adolescente". Mas abriu o seu, servindo-se de um portal que só foi perceber sua presença pela repercussão em Brasília. Agora Noblat quer negociar com o portal e, acima de tudo, quer publicidade.

Encomendou um perfil dos internautas ao marqueteiro Antonio Lavareda e fechou contrato com uma empresa para reformular o blog e buscar anunciantes.Nos EUA, onde os blogs políticos fizeram história na eleição presidencial, vários abriram espaço para publicidade e, no final da campanha, segundo o jornal "The New York Times", chegaram a faturar US$ 10 mil por mês.Outro blogueiro atento à política, o paulistano Marcelo Tas, do "Blog do Tas", vem dividindo com Noblat algumas das experiências formais no gênero.

Ambos, durante a campanha municipal, fizeram "live blogging": blogaram ao vivo seus comentários sobre os debates em São Paulo. Nos EUA, a crítica ao vivo dos debates presidenciais foi uma das ações de repercussão dos blogueiros.Para Tas, seu blog, com cerca de um ano de prioridade à interação, "comprovou aquilo que já tinha experimentado" antes, no rádio e na televisão:"A molecada quer falar de política, quer falar do que está rolando no mundo."

Nascida na Seattle dos protestos contra a globalização, a rede Indymedia -de sites de mídia independente- tem hoje um dos blogs brasileiros com maior presença de jovens engajados.Boa parte, alegando segurança, escreve sob pseudônimos nada militantes, como João do Pé de Feijão. Um dos raros que assina o próprio nome -e dos mais assíduos no blog do "Centro de Mídia Independente"- é o veterinário Raymundo Araújo Filho, especializado em agricultura familiar.

Ele sublinha que não fala em nome do Indymedia, que é "um mero usuário" e elogia a coluna blogueira do site, "absolutamente democrática, porque todo mundo pode escrever o que quiser". Os debates opõem "autonomistas" como Araújo a petistas, anarquistas, trotsquistas, ambientalistas e até alguns provocadores que são tratados por "olavetes", por serem supostos seguidores do ensaísta conservador Olavo de Carvalho -cujo site, "Mídia Sem Máscara", não tem mecanismo blogueiro.

Outras tribos têm outros blogs. Aberto em meados de 2003, como site para artigos e ensaios de um grupo de "tucanos, prototucanos e viúvas de FHC", na descrição bem-humorada de seu protagonista, o ex-secretário da Presidência Eduardo Graeff, o "E-agora" mudou na virada do ano para sublinhar mais sua face blogueira.

Diz Graeff: "Ele foi ficando com cara de blog. A gente foi vendo que, se queria que ficasse vivo, tinha que escrever mais e não podia escrever como faz artigo. É o espírito de um diário mesmo. Uma coisa mais informal, sem terno e gravata. Você deixa lá e os outros lêem se quiserem."O "E-agora", agora um legítimo blog, tem até colaborador que escreve sob pseudônimo, Antonio Fernandes. Graeff garante que o "clandestino" não foi nem presidente da República nem ministro.

A editora do dicionário Webster, americano, anunciou há pouco que blog foi a "palavra do ano", com base nas consultas on-line. Ela significa, diz o Webster, "site que contém um diário pessoal on line com reflexões, comentários e em geral links feitos pelo autor".No Brasil, o dicionário Houaiss ainda não acordou para a palavra, mas a disputa pelo pioneirismo blogueiro já começou. Na frente, descrito como "pioneiro" e "figura legendária e quase inatingível" pela DW, está Nemo Nox, que criou seu primeiro blog, "Diário da Megalópole", em março de 98.

Um mês antes, Viviane Menezes lançou o "White Noise", um blog em inglês. Diz Nox:"Ela foi possivelmente a primeira brasileira a fazer um weblog, e eu possivelmente o primeiro brasileiro a fazer um em português."Mas antes deles outros dois blogueiros estavam no ar, os jornalistas Júlio Hungria e Elisa Araújo, do Blue Bus. Diz Hungria:"Em 97, o formato era exatamente o que é um blog hoje. Era uma página só, com notas até lá embaixo, espaço para comentários diretos."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:12 AM ::



2/04/2005


A arte de não falar nada (3)

O desastre Lula: "Nós sofremos muito em 2003, vocês acompanharam o sofrimento, porque pegamos a casa depois de um vendaval (sic) como aquele que deu na Ásia e tivemos q consertar"

A melhor: "Os jovens precisam de uma só palavra: amor, carinho e compreensão"

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 2:23 PM ::



2/02/2005



O Fórum Social Mundial acabou.
William Vieira, estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, foi ao evento desse ano, comparou com o de 2003 que também compareceu e escreveu um texto publicado com exclusividade no Olhos de Mosca. Vale a pena ler esse sensacional relato de alguém que assistiu o discurso do presidente venezuelano Hugo Chavez:

.::Esquerdas da minha América::.

William Vieira

"Viva el socialismo!", gritava ao microfone um dos membros da Central Única dos Trabalhadores, no que era seguido pelas dez mil pessoas que ocupavam cada centímetro do Gigantinho, enquanto aguardavam a chegada dele, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Trazido pela CUT para ser a grande atração do último dia de palestras do 5º Fórum Social Mundial de Porto Alegre, Hugo Chavez foi a carta na manga do PT para livrar-se da má - péssima, talvez - impressão deixada nos outros dias do evento. Tentativa frustrada, vale lembrar.

Bandeiras de todos os movimentos sociais, como o CMP, o argentino Barrios de Pie, o paraguaio MCP, e os bem brasileiros PcdoB, PSTU e P-SOL - em sua estréia no fórum -, balançavam junto das unânimes bandeiras venezuelanas. Muitas nas mãos das centenas que se esmagavam nos corredores, sem chance de sentar-se, mas não querendo sair. Outras utilizadas como leques, para abanar o calor de quase 40ºC que martirizou os participantes do Fórum nos seis dias. Todas tremulando com vontade quando se ouvia o "olé" ecoar pelo ginásio, levantando a platéia numa ola ansiosa. "Ele vem ou não vem?", incitava o locutor.

Marcado para as 17h, o debate com Chavez já atrasara mais de duas. Não havia, porém, cansaço nos olhos das esquerdas de toda a América, que dançavam ao som de "Quanta lamera", enquanto gritavam : "A América é uma só!". "La esperança volve a iluminar los coraciones. Viva la Venezuela Bolivariana, Viva Chaves!", e por isso estavam todos ali, apertados, suando, confrontando-se entre si.

A batalha era a das esquerdas fissuradas por um governo que se desdisse - é o que crêem PSTU, PcdoB, UJS, P-SOL, grupos menores e movimentos sociais que bradaram seu apoio a Lula às vésperas da campanha de 2004, quando ele esteve no Fórum pedindo "a unidade para mudar", e que agora se sentem traídos. "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para essa reforma ou paramos o Brasil" - e mais da metade da platéia gritava junto, sobrepondo a voz do locutor que pedia a tal unidade. "Pedimos que as manifestações se atenham aos ideais comuns. Temos que nos unir contra os reais inimigos, todos contra o capitalismo, contra a Alca e contra Bush.", o que foi sintetizado no slogan "Globalizemos a luta".

E ele não vinha. O cheiro de suor e calor emanava dos corredores, o barulho de diferentes slogans misturados num caos escaldante. "Ele já está vindo", dizia o locutor. "Deve estar no Mcdonalds", rebatia alguém na platéia. "Mais uma vaia para Bush? Fora Bush!" e assim ia, uma sucessão de gritos de guerra, inspirados talvez no sindicalismo dos anos 80, aquele mesmo que levou Lula à presidência e que hoje traz tanta gente inconformada para ver Chavez, ouvir Chavez, quem sabe tocá-lo. "Chavez sim, Lula não!" - mais um slogan do P-SOL, interrompido por uma ensurdecedora salva de palmas, pela primeira vez unânime.

Com uma camisa vermelha e um largo sorriso no rosto, Chavez subiu ao palco acompanhado de muita gente para falar, dar seu recado, fazer sua campanha particular. Gente como o Padre Geraldo Lima, que pediu os pulsos levantados - no que foi prontamente atendido -, unidos "por Chavez e Lula". "Nós somos uma só força, e temos de Ter um só pensamento!", gritou o padre, no que foi imediatamente vaiado. "Lula Não, Chavez sim".

No Fórum Social as pessoas aplaudem tudo o que parece justo. Como uma campesina de chapéu de palha, que lia um discurso inflamado, clamando "o fim da escravidão e da exploração da América latina", inspirados em Simón Bolívar. "Havemos de conspirar pela sobrevivência deste resto de mundo. Pátria livre, Venceremos", gritava, os olhos reluzindo. Chavez levantou-se e beijou-lhe a testa.

No Fórum, o que quer que pareça um pedaço de cultura autóctone merece atenção redobrada. Depois de assistir a umas vinte pessoas, vestidas em bandeiras sul-americanas, dançar uma cantilena "indígena" por mais de dez minutos, chegava a vez da platéia embalar-se numa nova cantiga, esta festiva, mais animada, com pessoas em trajes de estrelas com os dizeres "socialismo, participação", "unidade", "Integração". Um "la ia la ia" que Chavez tentava acompanhar, os lábios mexendo-se descompassados.

Toda essa harmonia complacente chegou ao fim com o discurso de Luiz Marinho, presidente da CUT, vaiado pela platéia, alcunhado de "pelego". Tentando se fazer ouvir, Marinho começou a berrar ao microfone o mesmo discurso que, dias atrás, fizera o ministro Luiz Dulci ser vaiado no debate com José Saramago - o discurso sobre o Lula que faz e o governo que está dando certo. A platéia não perdoa: "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para essa reforma ou paramos o Brasil". Também Olívio Dutra teve de gritar alto para fazer a platéia entender a comparação entre Chavez e Lula. "Viva a luta que muda, viva as pessoas que, como Chavez e Lula tentam mudar".

Um momento de respeito se deu quando o presidente do Le Monde Diplomatique e um dos organizadores do FSM, Ignácio Ramonet, iniciou o discurso comparando Chavez a de Gaulle - segundo ele, "dirigentes diferentes". "Hugo Chavez é um democrata, o único na história a submeter-se a um referendo, no meio do mandato e tê-lo ganhado!", falou, seguido de muitas palmas. Ramonet disse que Chavez é um dirigente de novo tipo, porque cumpre seu programa de campanha. Não houve vaias. Talvez a platéia não tenha entendido o belo espanhol de Ramonet, a não ser, claro, quando as línguas se aproximam: "No hay contradición entre democracia e revolucion!".

O Gigantinho, feito pequeno, não comportava tamanha idolatria e curiosidade para com o homem político mais emblemático da América latina depois de Fidel. Quando Chavez aproximou-se do microfone, um murmúrio contido e ansioso tomou conta das pessoas. Esperavam que ele falasse, qualquer coisa. "Que emoção se sente aqui no Gigantinho", balbuciou. A platéia riu e aplaudiu, muito mais depois que o bem humorado presidente desculpou-se por não ter "aprendido o portunhol". "E English muito menos", sorriu, despontando, aos poucos, o carisma que fez dele o populista mais querido da história recente da América.

Chavez falou de seu dia, do sol de Porto Alegre, das reuniões com dirigentes do MST, do belo estádio e do "gigante que é o Brasil", da juventude, do futuro. O vago discurso tomou corpo com afirmações de cunho comunista. "Aposto que um chico chamado Fidel Castro esta vendo isto em Cuba. Como está Fidel?", disse, sorrindo. "Vamos fazer uma conspiração anti-imperialista, anti-hegemônica!", soltou, finalmente, para o delírio da platéia.

Assumiu-se um comunista moderno, um dirigente de "nuevo tipo", como disse Ramonet, mas "inspirado pelos viejos". "Por exemplo, Cristo, um dos maiores lutadores anti-imperialistas e revolucionários do mundo". Ou ainda Simón Bolívar, José Inácio Abreu de Lima, e "aquele médico asmático querido, que viajou a América do Sul numa motocicleta", disse, irônico, numa referência a Che Guevara, captada pela platéia que, dias antes, assistira ao documentário de Walter Salles. "Não esquecendo do grande Fidel, de Zapatero, de Pancho Villa, de Sandino, Prestes, de todos os viejos."

Daí em diante, veio uma sucessão de críticas vazias ao "imperialismo diabólico norte-americano", à "sua mão peluda e ossuda que há tempos atropela nossas terras", de chamados à revolução, que pragmaticamente não diziam muito. Chavez fez elogios ao companheiro Lula e seu governo, menções honrosas ao histórico do Fórum, falou de sua polêmica reforma agrária e soltou um pouco mais de sua retórica a la Sílvio Santos. E foi só.

Para a multidão que aguardara Chavez por horas dentro do Gigantinho, para os outros dois mil que assistiram ao evento num telão do lado de fora, a efusão de sentimentos pró América Latina e anti-Bush podem ter significado muito. Mas para quem acreditava - e eram muitos - que "um novo mundo é possível", que propostas concretas fosse trazidas ao Brasil, a decepção foi grande. Como foi ainda maior a decepção com o resto do fórum.

Palestras canceladas, horários trocadas em cima da hora, debaterores ausentes, um calor sufocante dentro das tendas que margeavam o Lago Guaíba no chamado "território social mundial" fizeram desse fórum uma cópia malfeita do de 2003.

Hobsbawn viria debater com Paulo Freire, mas em cima da hora fora anunciada sua substituição por Fogaça. No Araújo Viana, uma multidão enfrentou horas de fila no sol para ouvir Galeano e Saramago, dentre outros, e tiveram apenas um pouco de conceituação sobre utopia. Salvou, como poucas coisas, Saramago ter pronunciado, na sua métrica perfeita, um belo discurso de negação à utopia do FSM.

Salvou, também, o contato com as pessoas, de vários Brasis e países, centenas de hippies vendendo artesanato, coreanos anti-imperialistas torrando ao sol em marchas contra Bush, batucadas adentrando o acampamento da juventude e sacudindo as dezenas de milhares ali amontoadas. E salvou também o gostinho de despedida presente desde o primeiro dia de fórum, quando já era sabido que o próximo não seria em Porto Alegre - mais tarde soube-se que seria sediado na Venezuela, ainda que descentralizado, em outros países. De resto, a simples saída do marasmo político em que vive um país como o Brasil.

Depois de anos tentando empossar democraticamente um esquerdista na presidência; tendo isso acontecido; dois anos de governo depois e nada tendo mudado - ainda assim a aceitação da continuidade parece plena. Mas só parece. Vendo a cisão entre a posição das diversas esquerdas que outrora foram a base do governo Lula, a maioria negando seu apoio a uma nova candidatura em 2006, é curioso imaginar onde o PT vai buscar ajuda. Nesse caso, "viva el centro!".

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 10:45 PM ::






.::Que se vaya::.

Nos próximos dias, acontecerá um referendo em Buenos Aires para saber se a população quer que o prefeito continue no cargo após o incêndio da discoteca República Cromañón que matou 192 pessoas em 30 de dezembro de 2004. O local nunca foi fiscalizado por técnicos de segurança da prefeitura e tal omissão fez com que a opinião pública argentina culpe o prefeito Aníbal Ibarra pela tragédia.

De acordo com a Constituição de Buenos Aires, a realização de um referendo como esse necessita de 500 mil assinaturas. Ibarra luta não para permanecer no cargo, mas para que ele mesmo convoque a população. Assim, evitaria uma mobilização popular lutando para conseguir assinaturas.

Selecionei duas matérias de jornais argentinos sobre o caso. A primeira do Clarin traz informações factuais. A segunda matéria é do La Nacion e relata como foi desastroso o pedido público de desculpas do prefeito às famílias das vítimas.


Clarín:

La Justicia decide sobre tres pedidos para habilitar la revocatoria del mandato

El Tribunal se expedirá sobre solicitudes de ONG. El jefe de Gobierno pretende que lo habiliten a usar este mecanismo sin juntar las más de 500 mil firmas obligatorias para convocar al referendo.

El Tribunal Superior de Justicia (TSJ) porteño resolverá hoy si habilita la consulta popular para que los ciudadanos de la Capital Federal voten si el jefe de Gobierno, Aníbal Ibarra, debe seguir o no en su cargo después de la tragedia ocurrida en República Cromañón. El TSJ analizará tres pedidos de varias ONG que quieren llamar a un referendo para revocar el mandato de Ibarra. Los pedidos fueron presentados por el Instituto Buenos Aires de Planeamiento Estratégico (IBAPE), Defensa Ciudadana y la Fundación Bicentenario.

La decisión de los jueces podría conocerse antes de que Ibarra haga su propio planteo para que se llame a la convocatoria. El jefe de Gobierno pretende que la Justicia lo habilite a pedir este mecanismo sin necesidad de juntar las más de 500 mil firmas que, según la Constitución de la Ciudad, se necesitan para convocar a un referendo de revocatoria de mandato. Si la mayoría de los porteños ? con voto obligatorio ? decide que se vaya, no tendrá más remedio que marcharse a un costo del que difícilmente pueda recuperarse. Si en cambio, la mayoría resuelve que debe quedarse, Ibarra habrá conseguido oxígeno para poder transitar los tres de los cuatro años de mandato que le quedan.

De todos modos, la consulta ? como él mismo lo admite ? no alcanzará para borrarle el estigma de Cromañón. "Quiero decirles que he decidido que la ciudadanía decida si debo continuar o no al frente del gobierno, porque hay quienes quieren reemplazar a la voluntad popular", dijo Ibarra al informar su decisión el lunes. Fue justo a un mes y un día del incendió que arrasó con la vida de 192 personas.

La Nacion:

Ibarra pidió disculpas a los familiares

Alejandra Rey

Frente a una legislatura que priorizó los discursos a las preguntas, con pasajes muy tediosos, y con familiares que siguieron esperando respuestas que jamás llegaron sobre la tragedia de República Cromagnon, al cierre de esta edición el jefe de gobierno local, Aníbal Ibarra, superaba la interpelación truncada la semana última por un cuarto intermedio.

Ayer, el titular del Ejecutivo local pidió disculpas a los familiares de las víctimas al referirse a las indemnizaciones ofrecidas por su gobierno. Nadie hizo alusión públicamente al referéndum anunciado anteayer por Ibarra, pero los pasillos del edificio de Perú 130 hervían de operaciones políticas que sólo sirvieron para aumentar la confusión.

Los familiares, al menos, así lo entendieron. "No se preocupen ni ustedes (por los diputados) ni vos, Ibarra, me voy yo; esto no sirve para nada", gritó una mujer, madre de una de las víctimas ante la pobreza del debate. O, mejor, como graficó la diputada ibarrista Laura Moresi en diálogo con LA NACION: "Me da vergüenza formar parte de este cuerpo legislativo donde, salvo honrosas excepciones, algunos diputados usaron la angustia y la tragedia para conseguir unos minutos de protagonismo personal".

La jornada de ayer comenzó a las 14.30 cuando Ibarra entró en el recinto. Había 16 diputados presentes: hubo que esperar 15 minutos para que el número trepara a 31, número que se incrementó después de la hora de votar una propuesta que pedía que Ibarra contestara una por una cada pregunta. El primero en arribar a la Legislatura fue el secretario de Justicia, Juan José Alvarez, que se encerró a dialogar con el titular del cuerpo, Santiago de Estrada. Certezas de pasillo ¿Qué se puede rescatar de la sesión que, al cierre de esta edición, seguía sin interrupciones? Todo lo que se pudo saber en los pasillos

1) Que el jefe de Gabinete, Raúl Fernández, se pondrá al frente del operativo referéndum a partir de mañana, cuando se presente a pedir que se obvien las firmas y tomen a Ibarra como quien pide plebiscitar su cargo.

2)Que luego de esa gestión, Fernández se reunirá con las ONG y partidos políticos para juntar las 500.000 firmas necesarias para el referéndum, si el Superior Tribunal no hace lugar al pedido de Ibarra.

3)Que habrá una enorme limpieza de funcionarios de Compromiso para el Cambio que ostentan cargos en la ciudad merced a un acuerdo político inmediatamente después de las elecciones últimas.

4)Que luego del referéndum habrá cambios en el gabinete de Ibarra. Hubo tres momentos difíciles. El primero, cuando Ibarra pidió disculpas a los familiares de las víctimas por las indemnizaciones, palabra que jamás debió ser mencionada. El segundo, cuando la macrista Soledad Acuña lo acusó de mentir y lo culpó directamente por la tragedia. El tercero, cuando lo insultó la macrista Florencia Polimeni: le dijo que respondía con "cara de nada", y que República Cromagnon fue una zona liberada por los inspectores, pero no aportó pruebas. "Usted no tiene excusas y si quiere que todos nos miremos al espejo, hágalo primero usted. Porque le va a pasar como a Dorian Grey ( de Oscar Wilde) cuando miraba su retrato, veía sus miserias."

Ibarra respondió sin hacerse cargo de los insultos. "Es fácil buscar responsabilidades, pero es más sincero involucrarse." Y siguió, respecto de cómo se cumplen, o no, las normas: "Cuando se apagan las cámaras de televisión, todos encienden los cigarrillos y esto acá está prohibido". Esas palabras encendieron la ira de los familiares que perdieron la paciencia y le gritaron "que se vaya".

Fue allí cuando el presidente primero Santiago de Estrada pidió un cuarto intermedio. La figura de Mauricio Macri, sobre quien todos opinaron, también sobrevoló la escena. Anoche, en principio, nadie sabía cómo iba a quedar su fuerza legislativa tras la partida de Jorge Mercado del espacio macrista. De ahí que tanto Helio Rebot, que ya anunció que es peronista, como Diego Santilli, Dora Mouzo, y varios más hayan preferido apartarse del debate. Las espadas que le quedan son Polimeni, Acuña y Gabriela Michetti, pero se le fueron los que podían dialogar con Ibarra. Por allí tambíen está Jorge Enríquez , que aspira a la titularidad del bloque y dice ser vocero macrista.

Una fuente inobjetable informó a LA NACION que ayer en el búnker de la calle Chacabuco fueron varios los que le aconsejaron al titular de Boca Juniors que anunciara públicamente que no hacía falta ir a un referéndum dado que la institucionalidad no estaba en juego. Una de esas voces, dicen, fue el ex intendente Carlos Grosso.

Anoche, en la antesala del recinto agotados secretarios de la comuna y asesores de Ibarra (familiares y amigos) aguardaban el fin de la interpelación. "Dimos todo y no somos asesinos ni corruptos", dijo uno de ellos. Otro, a su lado, reconocía que el error de Ibarra fue no haber salido a la palestra la misma noche de la tragedia. "Tuvo la posibilidad de ser un Rudolph Giulliani y la perdió, aunque todos se lo aconsejamos", finalizó.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:00 PM ::






O senador Jorge Bornhausen mira e atira no alvo quando afirma que:

"No Brasil até o passado é imprevisível"

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:08 AM ::



2/01/2005




Ficando velho...

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:33 PM ::