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1/01/2005


Ainda sobre as sucessivas vitórias dos quenianos na Corrida de São Silvestre, deu na Folha de São Paulo de 27/12/04:

"Darwinismo" dá vantagem a quenianos
Adalberto Leister Filhoda

Uma espécie de "seleção natural" pode ser a origem do domínio queniano em provas de longa distância, como a São Silvestre, competição de 15 km, que terá sua 80ª edição na sexta, em São Paulo.
O conceito de seleção natural foi formulado pelo britânico Charles Darwin (1809-1882). Para ele, os indivíduos mais adaptados ao ambiente são selecionados e passam suas características aos filhos. A teoria de Darwin ajudaria a explicar a revelação de tantos talentos para corridas de rua.

Segundo os ingleses John Bale e Joe Sang, a região do Rift Valley é o berço de 72% dos fundistas bem-sucedidos do Quênia -o local abriga 20% da população do país."O Rift Valley é um território relativamente grande. Mas, se o dividirmos por regiões, veremos que alguns locais revelaram muitos corredores e outros, um número reduzido", diz Bale, professor da Universidade de Keele.

A tradição individualista de algumas tribos, como os kalenjin, ajudou a forjar uma geração de corredores com bons resultados. "Os nandis, um subgrupo dos kalenjin, produziram 23 vezes mais atletas de longa distância do que poderíamos esperar pelo tamanho de sua população", diz ele.

A tribo tinha como costume a caça. O homem capaz de retornar à aldeia com maior quantidade de animais tinha o direito a ter mais mulheres. Assim, os bons corredores faziam mais descendentes.Quando os colonizadores ingleses chegaram à região, no século 19, tiveram dificuldade em dominar o local, já que o povo nandi era guerreiro. Só apaziguaram os ânimos e desenvolveram boas relações com a tribo quando começaram a incentivar o esporte.

De acordo com outro pesquisador do tema, Tim Noakes, professor de fisiologia na Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul), o ambiente também ajudou a desenvolver bons corredores.

O Rift Valley conta com altas altitudes (de até 2.400 m) e ar rarefeito, que favorece os treinos. "O ambiente ajuda e deve ter promovido algumas adaptações genéticas em um momento inicial, há milhares de anos. Mas hoje muitos quenianos vivem e se preparam na Europa e nos EUA, em locais de altitude baixa", pondera.

É esse o ponto de discordância entre os dois. Para Bale, a genética, isoladamente, não explica o predomínio do Quênia em corridas que exijam resistência."Não sou médico, mas não creio na tese de que há um gene para a corrida. Senão, vamos descobrir um gene do basquete, um gene do salto em distância, um gene do salto em altura...", enumera.

Já Noakes defende que alguns componentes genéticos concedem vantagem aos quenianos. "A aptidão para as corridas não pode ser explicada apenas pelos treinos. Se fosse só isso, os quenianos também seriam bons em provas velozes, como os 100 m, mas não são", argumenta o professor.

Noakes afirma que os negros e, em especial os quenianos, são capazes de correr por mais tempo sem apresentar sinais de fadiga. "Isso ocorre porque seus músculos têm algumas adaptações especiais que os permitem acelerar por mais tempo antes de o cérebro avisar ao corpo que é hora de diminuir o ritmo. Nos europeus, a fadiga é mais rápida", afirma.

Para o pesquisador, tal vantagem pode ter data para acabar."Se encontrarmos os genes que explicam a superioridade dos negros, é só transferi-los aos corredores europeus. Isso poderá acontecer no futuro", acredita.

Tese estuda vantagem de negros
Além de favorecidos pela cultura e ambiente, os quenianos são beneficiados por serem negros."Parece impossível que seja por acaso que os atletas de lá tenham bons resultados", afirmou à Folha Yolande Harley, pesquisadora do Instituto Sul-Africano de Ciência Esportiva, da Cidade do Cabo.

Em sua tese de doutorado, ela estudou corredores sul-africanos e mapeou diferenças fisiológicas e biomecânicas que ajudam os negros a dominar as provas de fundo (com 5.000 m ou mais)."Em termos antropométricos, os negros são mais baixos e magros do que os brancos. Ou seja, têm menos gordura e mais fibras musculares, o que os beneficia em corridas longas", indica Harley.

No campo fisiológico, eles são capazes de correr a mesma distância que os adversários, mas com menor consumo de oxigênio. "Em outras palavras, economizam na corrida, o que lhes concede maior resistência", aponta.Não bastasse isso, a biomecânica negra também propicia ganhos em disputas como a maratona. Eles são capazes de cobrir uma distância maior por passada."Os atletas parecem voar a cada passo, considerando que sua estatura é menor. A razão para isso ainda não é conhecida. Talvez seja explicada pela diferença na força ou na elasticidade muscular."

"Ou seja, a primazia de alguns povos africanos não é resultado de algo isolado, mas de fatores antropométricos, fisiológicos e biomecânicos", resume ela. (ALF)

Empresa garimpa jovens em "mina de ouro" do país
Uma placa na estrada que guia à Eldoret, cidade no Rift Valley (Quênia), saúda a chegada do viajante: "Bem-vindo à terra da corrida".Com a maior concentração de talentos para provas de longa distância do mundo, a região desperta interesse de empresas de material esportivo há algum tempo.

A italiana Fila iniciou em 1994 um trabalho para garimpar corredores no local. Anualmente é promovida uma competição para a descoberta de atletas novatos.Os melhores passam a integrar a equipe da empresa, que mantém centros de treinamento no próprio Quênia e em Boston, nos EUA.Esses corredores começam a rodar o mundo participando de eventos badalados, como o circuito das principais maratonas: Nova York, Boston, Chicago, Londres, Paris e Berlim.Foi essa iniciativa que descobriu estrelas como Paul Tergat, 35, pentacampeão da São Silvestre (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000) e recordista mundial da maratona, e Margaret Okayo, 28, vencedora da tradicional corrida paulistana no ano passado e dona da melhor marca da Maratona de Nova York.

Outra revelação em Rift Valley foi Robert Cheruiyot, 26, vencedor da São Silvestre em 2002 e que volta a correr a prova neste ano. O queniano é dono da melhor marca de 2004 na meia-maratona: 1h00min11s, obtida em Roterdã, há três meses.

A empresa também trouxe ao país principiantes, ainda sem grandes resultados internacionais. É o caso de Lawrence Kiprotich, 20, Mathew Cheboi, 22, Peninah Limakori, 19, e Teresia Kipchumba, 22. Kiprotich venceu a Volta da Pampulha, no começo do mês. (ALF)

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:01 AM ::