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Últimas Notícias - Estadão

Temperatura em Floripa, Brasil

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Blogarama - The Blog Directory

11/20/2005


http://skin-project.blogspot.com/
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 4:20 AM ::



3/02/2005


A mosca já botou seus ovos...
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:18 PM ::



2/27/2005


Blog em mutação...
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 5:29 PM ::



2/26/2005


A arte de não falar nada (4)

Quando o nosso presidente fala demais, acusa o governo anterior de corrupção sem ter provas e faz pronunciamentos no mais puro improviso, o seu despreparo imenso em lidar com o cargo aparece.

Lula não conhece algo chamado assessoria. Fala o que bem entende como se estivesse conversando com amigos no bar.

Era uma vez um aluno qualquer que precisava apresentar um trabalho escolar. Dias antes, escreveu sua apresentação, listou os tópicos principais e, antes de dormir, treinou na frente do espelho. Por que o presidente não pode fazer o mesmo e apresentar a sua tarefa escolar de uma forma mais séria?
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:14 PM ::



2/25/2005


Que tal uma camiseta nova, blogueiro?

www.cafepress.com/bloggerwear
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:02 AM ::






Muito discurso estraga uma boa imagem.
Para ver os vencedores do prêmio de fotografia World Press 2004, clique aqui.
Detalhe: quem ganhou na categoria Notícias gerais foi um brasileiro.
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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 12:33 AM ::



2/20/2005



Loque Albergue espanhol

Trata-se da história de Xavier, um estudante francês que decide fazer um intercâmbio em Barcelona no último ano de sua graduação. Lá ele mora em um apartamento com outros seis estudantes, cada um de um lugar na Europa.

O filme não é bom só porque possui aquele gostinho adolescente de Anos Incríveis e ótimas interpretações. Mais do que isso, Albergue espanhol é um filme que consegue uma façanha: mostrar os jovens como eles realmente são.

Chamo isso de façanha, porque geralmente o cinema mostra os jovens como uma mistura freak de Jackass com Beavis an Butt-head (veja qualquer comédia norte-americana estúpida) ou como um bando de drogados (Réquiem para um sonho). Em Albergue espanhol, eles bebem, se divertem, mas também precisam estudar e, ocasionalmente, dar um jeito nos problemas doméstico, como a falta de eletricidade.

Além disso, o filme não deixa de ser o retrato de uma Europa que luta por uma identidade única.
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 4:54 PM ::



2/16/2005


Somos todos marionetes de um sistema que não deu certo, um sistema que mesmo todos sabendo que não é certo, todos usamos. Não falo que o socialismo é completamente correto, e nem que o capitalismo é completamente errado. Falo sobre uma sociedade capitalista com influência socialista, uma sociedade que absorva o melhor dos dois sistemas.

A mensagem foi postada por um hacker brasileiro na página do novo filme de Steven Spielberg, A Guerra dos mundos. O invasor se intitula como Un-Root (desenraizado) e sua manisfetação política foi documentada pelo site Zone-H.org.

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.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:47 PM ::



2/11/2005


O PT comemora 25 anos com poder, rebeldias internas e uma mudança ideológica que o presidente do partido, José Genoino, nega nas entrevistas.

Após enfrentar as reformas tributária e da previdência, o partido discute mais um tema polêmico: a autonomia do Banco Central.

O deputador Chico Alencar prevê que o assunto "será uma grande guerra".
E o ministro José Dirceu promete que a autonomia não vai ser discutida este ano. É o medo de perder mais aliados para a releeição de Lula.

Na internet:

A autonomia do Banco Central e a gelatina diet
Márcio G.P. Garcia, professor de Economia da PUC-Rio, defende a idéia.

Banco Central precisa ser autônomo do eixo de poder financeiro
O professor e economista Paulo Nogueira Batista Jr. desconstroi premissas "universais" que envolvem a autonomia do BC.
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:13 PM ::



2/09/2005


Folha de São Paulo (08/02):

Blogs políticos conquistam cada vez mais adeptos e leitores

Nelson de Sá

Começa quase sempre como um site, um lugar para armazenar artigos, ensaios, para memória. Mas aí o autor "posta" um breve comentário -e passa a gostar. Relata o professor da FGV-SP e ex-ministro de FHC Luiz Carlos Bresser-Pereira: "Eu vi que podia fazer com facilidade algumas observações. Opinar sobre alguns assuntos de que não estou disposto a tratar longamente. E achei divertido."

Assim nasce o blog. No caso do senador e ex-ministro de Lula Cristovam Buarque, não foi diferente. Passados três meses, ele diz que alguns comentários seus "não têm repercussão nenhuma", mas outros têm "muita": "Por exemplo, quando morreu aqui [em Brasília] um menino por causa dessas injeções de anabolizantes, eu fiz uma mensagem provocando a juventude. Por que esse deslumbramento com o corpo chega ao ponto do suicídio? "O problema é que a "experiência muito gratificante" do blog, para Buarque, também "consome muito tempo". Para Bresser-Pereira, nem tanto. "Eu faço isso muito rapidamente", diz.

Os dois ex-ministros estão longe de ser as estrelas do fenômeno dos blogs no Brasil.O país foi surpreendido, no final do ano passado, com o anúncio da "Deutsche Welle" -a "BBC" alemã- de que três blogueiros brasileiros estavam entre os melhores do mundo, segundo votação de usuários.

Um deles foi o próprio "melhor weblog" de todos, "Por um Punhado de Pixels", de Nemo Nox. Ainda que a premiação da DW, a exemplo do que ocorreu com o "Orkut", tenha sofrido uma invasão brasileira, que chegou a um terço da votação, o prêmio foi um marco.Para Nox, pseudônimo de um publicitário de Santos que hoje vive em Washington (EUA) e insiste em não divulgar o nome, "foi uma surpresa", porque a concorrência era de "blogs famosos".

Entre os dez finalistas, apontados por júri da DW, estavam celebridades blogueiras como os americanos Boing Boing e Wonkette.Para alguns blogueiros locais, como o colunista da "Revista da Folha" Pedro Dória, do "Nomínimo Weblog", do Rio, "o Brasil é um dos poucos países no mundo em que os blogs fazem parte da vida na internet", citando ainda EUA, Grã-Bretanha, Irã.Já Nox lembra que na premiação da DW tinha de tudo, blog chinês, russo, árabe. E no Brasil, sublinha ele: "Quantidade existe, sem dúvida. Qualidade, creio que seja como em outros países: só uma pequena percentagem se destaca."O blog de Dória está nessa minoria, citado pelo próprio Nox e por outros. Começou como uma coluna sobre web no site "No.", depois "Nomínimo".

Há dois anos e meio virou blog de vez."Eu achava que tinha pego a manha da mídia, mas a coisa dos comentários em blog foi absolutamente desbundante. Eu descobri a internet de novo", diz Dória.Dória concorda com Nox que "o Brasil não conseguiu produzir bons blogs em quantidade, sobretudo do ponto de vista informativo. Mas alguns apareceram."O "Blog do Colunista", do jornalista Ricardo Noblat, foi outro vencedor dos BOBs, a premiação da DW, na categoria "melhor blog jornalístico em português". (O terceiro vitorioso do Brasil, na categoria "melhor temática", foi o Estraga Filmes).

O brasiliense "Blog do Colunista" completa um ano no mês que vem e Noblat, ex-"Veja" e "Correio Braziliense", quer mais do que prêmio:"Eu vou fazer um ano de trabalho de graça, para o chamado povo brasileiro. Dinheiro que é bom, nada. Por enquanto, as contas são pagas por dona Rebeca, minha mulher."Ele diz que começou "acidentalmente", que imaginava um blog como "diário de adolescente". Mas abriu o seu, servindo-se de um portal que só foi perceber sua presença pela repercussão em Brasília. Agora Noblat quer negociar com o portal e, acima de tudo, quer publicidade.

Encomendou um perfil dos internautas ao marqueteiro Antonio Lavareda e fechou contrato com uma empresa para reformular o blog e buscar anunciantes.Nos EUA, onde os blogs políticos fizeram história na eleição presidencial, vários abriram espaço para publicidade e, no final da campanha, segundo o jornal "The New York Times", chegaram a faturar US$ 10 mil por mês.Outro blogueiro atento à política, o paulistano Marcelo Tas, do "Blog do Tas", vem dividindo com Noblat algumas das experiências formais no gênero.

Ambos, durante a campanha municipal, fizeram "live blogging": blogaram ao vivo seus comentários sobre os debates em São Paulo. Nos EUA, a crítica ao vivo dos debates presidenciais foi uma das ações de repercussão dos blogueiros.Para Tas, seu blog, com cerca de um ano de prioridade à interação, "comprovou aquilo que já tinha experimentado" antes, no rádio e na televisão:"A molecada quer falar de política, quer falar do que está rolando no mundo."

Nascida na Seattle dos protestos contra a globalização, a rede Indymedia -de sites de mídia independente- tem hoje um dos blogs brasileiros com maior presença de jovens engajados.Boa parte, alegando segurança, escreve sob pseudônimos nada militantes, como João do Pé de Feijão. Um dos raros que assina o próprio nome -e dos mais assíduos no blog do "Centro de Mídia Independente"- é o veterinário Raymundo Araújo Filho, especializado em agricultura familiar.

Ele sublinha que não fala em nome do Indymedia, que é "um mero usuário" e elogia a coluna blogueira do site, "absolutamente democrática, porque todo mundo pode escrever o que quiser". Os debates opõem "autonomistas" como Araújo a petistas, anarquistas, trotsquistas, ambientalistas e até alguns provocadores que são tratados por "olavetes", por serem supostos seguidores do ensaísta conservador Olavo de Carvalho -cujo site, "Mídia Sem Máscara", não tem mecanismo blogueiro.

Outras tribos têm outros blogs. Aberto em meados de 2003, como site para artigos e ensaios de um grupo de "tucanos, prototucanos e viúvas de FHC", na descrição bem-humorada de seu protagonista, o ex-secretário da Presidência Eduardo Graeff, o "E-agora" mudou na virada do ano para sublinhar mais sua face blogueira.

Diz Graeff: "Ele foi ficando com cara de blog. A gente foi vendo que, se queria que ficasse vivo, tinha que escrever mais e não podia escrever como faz artigo. É o espírito de um diário mesmo. Uma coisa mais informal, sem terno e gravata. Você deixa lá e os outros lêem se quiserem."O "E-agora", agora um legítimo blog, tem até colaborador que escreve sob pseudônimo, Antonio Fernandes. Graeff garante que o "clandestino" não foi nem presidente da República nem ministro.

A editora do dicionário Webster, americano, anunciou há pouco que blog foi a "palavra do ano", com base nas consultas on-line. Ela significa, diz o Webster, "site que contém um diário pessoal on line com reflexões, comentários e em geral links feitos pelo autor".No Brasil, o dicionário Houaiss ainda não acordou para a palavra, mas a disputa pelo pioneirismo blogueiro já começou. Na frente, descrito como "pioneiro" e "figura legendária e quase inatingível" pela DW, está Nemo Nox, que criou seu primeiro blog, "Diário da Megalópole", em março de 98.

Um mês antes, Viviane Menezes lançou o "White Noise", um blog em inglês. Diz Nox:"Ela foi possivelmente a primeira brasileira a fazer um weblog, e eu possivelmente o primeiro brasileiro a fazer um em português."Mas antes deles outros dois blogueiros estavam no ar, os jornalistas Júlio Hungria e Elisa Araújo, do Blue Bus. Diz Hungria:"Em 97, o formato era exatamente o que é um blog hoje. Era uma página só, com notas até lá embaixo, espaço para comentários diretos."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:12 AM ::



2/04/2005


A arte de não falar nada (3)

O desastre Lula: "Nós sofremos muito em 2003, vocês acompanharam o sofrimento, porque pegamos a casa depois de um vendaval (sic) como aquele que deu na Ásia e tivemos q consertar"

A melhor: "Os jovens precisam de uma só palavra: amor, carinho e compreensão"

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 2:23 PM ::



2/02/2005



O Fórum Social Mundial acabou.
William Vieira, estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, foi ao evento desse ano, comparou com o de 2003 que também compareceu e escreveu um texto publicado com exclusividade no Olhos de Mosca. Vale a pena ler esse sensacional relato de alguém que assistiu o discurso do presidente venezuelano Hugo Chavez:

.::Esquerdas da minha América::.

William Vieira

"Viva el socialismo!", gritava ao microfone um dos membros da Central Única dos Trabalhadores, no que era seguido pelas dez mil pessoas que ocupavam cada centímetro do Gigantinho, enquanto aguardavam a chegada dele, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Trazido pela CUT para ser a grande atração do último dia de palestras do 5º Fórum Social Mundial de Porto Alegre, Hugo Chavez foi a carta na manga do PT para livrar-se da má - péssima, talvez - impressão deixada nos outros dias do evento. Tentativa frustrada, vale lembrar.

Bandeiras de todos os movimentos sociais, como o CMP, o argentino Barrios de Pie, o paraguaio MCP, e os bem brasileiros PcdoB, PSTU e P-SOL - em sua estréia no fórum -, balançavam junto das unânimes bandeiras venezuelanas. Muitas nas mãos das centenas que se esmagavam nos corredores, sem chance de sentar-se, mas não querendo sair. Outras utilizadas como leques, para abanar o calor de quase 40ºC que martirizou os participantes do Fórum nos seis dias. Todas tremulando com vontade quando se ouvia o "olé" ecoar pelo ginásio, levantando a platéia numa ola ansiosa. "Ele vem ou não vem?", incitava o locutor.

Marcado para as 17h, o debate com Chavez já atrasara mais de duas. Não havia, porém, cansaço nos olhos das esquerdas de toda a América, que dançavam ao som de "Quanta lamera", enquanto gritavam : "A América é uma só!". "La esperança volve a iluminar los coraciones. Viva la Venezuela Bolivariana, Viva Chaves!", e por isso estavam todos ali, apertados, suando, confrontando-se entre si.

A batalha era a das esquerdas fissuradas por um governo que se desdisse - é o que crêem PSTU, PcdoB, UJS, P-SOL, grupos menores e movimentos sociais que bradaram seu apoio a Lula às vésperas da campanha de 2004, quando ele esteve no Fórum pedindo "a unidade para mudar", e que agora se sentem traídos. "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para essa reforma ou paramos o Brasil" - e mais da metade da platéia gritava junto, sobrepondo a voz do locutor que pedia a tal unidade. "Pedimos que as manifestações se atenham aos ideais comuns. Temos que nos unir contra os reais inimigos, todos contra o capitalismo, contra a Alca e contra Bush.", o que foi sintetizado no slogan "Globalizemos a luta".

E ele não vinha. O cheiro de suor e calor emanava dos corredores, o barulho de diferentes slogans misturados num caos escaldante. "Ele já está vindo", dizia o locutor. "Deve estar no Mcdonalds", rebatia alguém na platéia. "Mais uma vaia para Bush? Fora Bush!" e assim ia, uma sucessão de gritos de guerra, inspirados talvez no sindicalismo dos anos 80, aquele mesmo que levou Lula à presidência e que hoje traz tanta gente inconformada para ver Chavez, ouvir Chavez, quem sabe tocá-lo. "Chavez sim, Lula não!" - mais um slogan do P-SOL, interrompido por uma ensurdecedora salva de palmas, pela primeira vez unânime.

Com uma camisa vermelha e um largo sorriso no rosto, Chavez subiu ao palco acompanhado de muita gente para falar, dar seu recado, fazer sua campanha particular. Gente como o Padre Geraldo Lima, que pediu os pulsos levantados - no que foi prontamente atendido -, unidos "por Chavez e Lula". "Nós somos uma só força, e temos de Ter um só pensamento!", gritou o padre, no que foi imediatamente vaiado. "Lula Não, Chavez sim".

No Fórum Social as pessoas aplaudem tudo o que parece justo. Como uma campesina de chapéu de palha, que lia um discurso inflamado, clamando "o fim da escravidão e da exploração da América latina", inspirados em Simón Bolívar. "Havemos de conspirar pela sobrevivência deste resto de mundo. Pátria livre, Venceremos", gritava, os olhos reluzindo. Chavez levantou-se e beijou-lhe a testa.

No Fórum, o que quer que pareça um pedaço de cultura autóctone merece atenção redobrada. Depois de assistir a umas vinte pessoas, vestidas em bandeiras sul-americanas, dançar uma cantilena "indígena" por mais de dez minutos, chegava a vez da platéia embalar-se numa nova cantiga, esta festiva, mais animada, com pessoas em trajes de estrelas com os dizeres "socialismo, participação", "unidade", "Integração". Um "la ia la ia" que Chavez tentava acompanhar, os lábios mexendo-se descompassados.

Toda essa harmonia complacente chegou ao fim com o discurso de Luiz Marinho, presidente da CUT, vaiado pela platéia, alcunhado de "pelego". Tentando se fazer ouvir, Marinho começou a berrar ao microfone o mesmo discurso que, dias atrás, fizera o ministro Luiz Dulci ser vaiado no debate com José Saramago - o discurso sobre o Lula que faz e o governo que está dando certo. A platéia não perdoa: "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para essa reforma ou paramos o Brasil". Também Olívio Dutra teve de gritar alto para fazer a platéia entender a comparação entre Chavez e Lula. "Viva a luta que muda, viva as pessoas que, como Chavez e Lula tentam mudar".

Um momento de respeito se deu quando o presidente do Le Monde Diplomatique e um dos organizadores do FSM, Ignácio Ramonet, iniciou o discurso comparando Chavez a de Gaulle - segundo ele, "dirigentes diferentes". "Hugo Chavez é um democrata, o único na história a submeter-se a um referendo, no meio do mandato e tê-lo ganhado!", falou, seguido de muitas palmas. Ramonet disse que Chavez é um dirigente de novo tipo, porque cumpre seu programa de campanha. Não houve vaias. Talvez a platéia não tenha entendido o belo espanhol de Ramonet, a não ser, claro, quando as línguas se aproximam: "No hay contradición entre democracia e revolucion!".

O Gigantinho, feito pequeno, não comportava tamanha idolatria e curiosidade para com o homem político mais emblemático da América latina depois de Fidel. Quando Chavez aproximou-se do microfone, um murmúrio contido e ansioso tomou conta das pessoas. Esperavam que ele falasse, qualquer coisa. "Que emoção se sente aqui no Gigantinho", balbuciou. A platéia riu e aplaudiu, muito mais depois que o bem humorado presidente desculpou-se por não ter "aprendido o portunhol". "E English muito menos", sorriu, despontando, aos poucos, o carisma que fez dele o populista mais querido da história recente da América.

Chavez falou de seu dia, do sol de Porto Alegre, das reuniões com dirigentes do MST, do belo estádio e do "gigante que é o Brasil", da juventude, do futuro. O vago discurso tomou corpo com afirmações de cunho comunista. "Aposto que um chico chamado Fidel Castro esta vendo isto em Cuba. Como está Fidel?", disse, sorrindo. "Vamos fazer uma conspiração anti-imperialista, anti-hegemônica!", soltou, finalmente, para o delírio da platéia.

Assumiu-se um comunista moderno, um dirigente de "nuevo tipo", como disse Ramonet, mas "inspirado pelos viejos". "Por exemplo, Cristo, um dos maiores lutadores anti-imperialistas e revolucionários do mundo". Ou ainda Simón Bolívar, José Inácio Abreu de Lima, e "aquele médico asmático querido, que viajou a América do Sul numa motocicleta", disse, irônico, numa referência a Che Guevara, captada pela platéia que, dias antes, assistira ao documentário de Walter Salles. "Não esquecendo do grande Fidel, de Zapatero, de Pancho Villa, de Sandino, Prestes, de todos os viejos."

Daí em diante, veio uma sucessão de críticas vazias ao "imperialismo diabólico norte-americano", à "sua mão peluda e ossuda que há tempos atropela nossas terras", de chamados à revolução, que pragmaticamente não diziam muito. Chavez fez elogios ao companheiro Lula e seu governo, menções honrosas ao histórico do Fórum, falou de sua polêmica reforma agrária e soltou um pouco mais de sua retórica a la Sílvio Santos. E foi só.

Para a multidão que aguardara Chavez por horas dentro do Gigantinho, para os outros dois mil que assistiram ao evento num telão do lado de fora, a efusão de sentimentos pró América Latina e anti-Bush podem ter significado muito. Mas para quem acreditava - e eram muitos - que "um novo mundo é possível", que propostas concretas fosse trazidas ao Brasil, a decepção foi grande. Como foi ainda maior a decepção com o resto do fórum.

Palestras canceladas, horários trocadas em cima da hora, debaterores ausentes, um calor sufocante dentro das tendas que margeavam o Lago Guaíba no chamado "território social mundial" fizeram desse fórum uma cópia malfeita do de 2003.

Hobsbawn viria debater com Paulo Freire, mas em cima da hora fora anunciada sua substituição por Fogaça. No Araújo Viana, uma multidão enfrentou horas de fila no sol para ouvir Galeano e Saramago, dentre outros, e tiveram apenas um pouco de conceituação sobre utopia. Salvou, como poucas coisas, Saramago ter pronunciado, na sua métrica perfeita, um belo discurso de negação à utopia do FSM.

Salvou, também, o contato com as pessoas, de vários Brasis e países, centenas de hippies vendendo artesanato, coreanos anti-imperialistas torrando ao sol em marchas contra Bush, batucadas adentrando o acampamento da juventude e sacudindo as dezenas de milhares ali amontoadas. E salvou também o gostinho de despedida presente desde o primeiro dia de fórum, quando já era sabido que o próximo não seria em Porto Alegre - mais tarde soube-se que seria sediado na Venezuela, ainda que descentralizado, em outros países. De resto, a simples saída do marasmo político em que vive um país como o Brasil.

Depois de anos tentando empossar democraticamente um esquerdista na presidência; tendo isso acontecido; dois anos de governo depois e nada tendo mudado - ainda assim a aceitação da continuidade parece plena. Mas só parece. Vendo a cisão entre a posição das diversas esquerdas que outrora foram a base do governo Lula, a maioria negando seu apoio a uma nova candidatura em 2006, é curioso imaginar onde o PT vai buscar ajuda. Nesse caso, "viva el centro!".

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 10:45 PM ::






.::Que se vaya::.

Nos próximos dias, acontecerá um referendo em Buenos Aires para saber se a população quer que o prefeito continue no cargo após o incêndio da discoteca República Cromañón que matou 192 pessoas em 30 de dezembro de 2004. O local nunca foi fiscalizado por técnicos de segurança da prefeitura e tal omissão fez com que a opinião pública argentina culpe o prefeito Aníbal Ibarra pela tragédia.

De acordo com a Constituição de Buenos Aires, a realização de um referendo como esse necessita de 500 mil assinaturas. Ibarra luta não para permanecer no cargo, mas para que ele mesmo convoque a população. Assim, evitaria uma mobilização popular lutando para conseguir assinaturas.

Selecionei duas matérias de jornais argentinos sobre o caso. A primeira do Clarin traz informações factuais. A segunda matéria é do La Nacion e relata como foi desastroso o pedido público de desculpas do prefeito às famílias das vítimas.


Clarín:

La Justicia decide sobre tres pedidos para habilitar la revocatoria del mandato

El Tribunal se expedirá sobre solicitudes de ONG. El jefe de Gobierno pretende que lo habiliten a usar este mecanismo sin juntar las más de 500 mil firmas obligatorias para convocar al referendo.

El Tribunal Superior de Justicia (TSJ) porteño resolverá hoy si habilita la consulta popular para que los ciudadanos de la Capital Federal voten si el jefe de Gobierno, Aníbal Ibarra, debe seguir o no en su cargo después de la tragedia ocurrida en República Cromañón. El TSJ analizará tres pedidos de varias ONG que quieren llamar a un referendo para revocar el mandato de Ibarra. Los pedidos fueron presentados por el Instituto Buenos Aires de Planeamiento Estratégico (IBAPE), Defensa Ciudadana y la Fundación Bicentenario.

La decisión de los jueces podría conocerse antes de que Ibarra haga su propio planteo para que se llame a la convocatoria. El jefe de Gobierno pretende que la Justicia lo habilite a pedir este mecanismo sin necesidad de juntar las más de 500 mil firmas que, según la Constitución de la Ciudad, se necesitan para convocar a un referendo de revocatoria de mandato. Si la mayoría de los porteños ? con voto obligatorio ? decide que se vaya, no tendrá más remedio que marcharse a un costo del que difícilmente pueda recuperarse. Si en cambio, la mayoría resuelve que debe quedarse, Ibarra habrá conseguido oxígeno para poder transitar los tres de los cuatro años de mandato que le quedan.

De todos modos, la consulta ? como él mismo lo admite ? no alcanzará para borrarle el estigma de Cromañón. "Quiero decirles que he decidido que la ciudadanía decida si debo continuar o no al frente del gobierno, porque hay quienes quieren reemplazar a la voluntad popular", dijo Ibarra al informar su decisión el lunes. Fue justo a un mes y un día del incendió que arrasó con la vida de 192 personas.

La Nacion:

Ibarra pidió disculpas a los familiares

Alejandra Rey

Frente a una legislatura que priorizó los discursos a las preguntas, con pasajes muy tediosos, y con familiares que siguieron esperando respuestas que jamás llegaron sobre la tragedia de República Cromagnon, al cierre de esta edición el jefe de gobierno local, Aníbal Ibarra, superaba la interpelación truncada la semana última por un cuarto intermedio.

Ayer, el titular del Ejecutivo local pidió disculpas a los familiares de las víctimas al referirse a las indemnizaciones ofrecidas por su gobierno. Nadie hizo alusión públicamente al referéndum anunciado anteayer por Ibarra, pero los pasillos del edificio de Perú 130 hervían de operaciones políticas que sólo sirvieron para aumentar la confusión.

Los familiares, al menos, así lo entendieron. "No se preocupen ni ustedes (por los diputados) ni vos, Ibarra, me voy yo; esto no sirve para nada", gritó una mujer, madre de una de las víctimas ante la pobreza del debate. O, mejor, como graficó la diputada ibarrista Laura Moresi en diálogo con LA NACION: "Me da vergüenza formar parte de este cuerpo legislativo donde, salvo honrosas excepciones, algunos diputados usaron la angustia y la tragedia para conseguir unos minutos de protagonismo personal".

La jornada de ayer comenzó a las 14.30 cuando Ibarra entró en el recinto. Había 16 diputados presentes: hubo que esperar 15 minutos para que el número trepara a 31, número que se incrementó después de la hora de votar una propuesta que pedía que Ibarra contestara una por una cada pregunta. El primero en arribar a la Legislatura fue el secretario de Justicia, Juan José Alvarez, que se encerró a dialogar con el titular del cuerpo, Santiago de Estrada. Certezas de pasillo ¿Qué se puede rescatar de la sesión que, al cierre de esta edición, seguía sin interrupciones? Todo lo que se pudo saber en los pasillos

1) Que el jefe de Gabinete, Raúl Fernández, se pondrá al frente del operativo referéndum a partir de mañana, cuando se presente a pedir que se obvien las firmas y tomen a Ibarra como quien pide plebiscitar su cargo.

2)Que luego de esa gestión, Fernández se reunirá con las ONG y partidos políticos para juntar las 500.000 firmas necesarias para el referéndum, si el Superior Tribunal no hace lugar al pedido de Ibarra.

3)Que habrá una enorme limpieza de funcionarios de Compromiso para el Cambio que ostentan cargos en la ciudad merced a un acuerdo político inmediatamente después de las elecciones últimas.

4)Que luego del referéndum habrá cambios en el gabinete de Ibarra. Hubo tres momentos difíciles. El primero, cuando Ibarra pidió disculpas a los familiares de las víctimas por las indemnizaciones, palabra que jamás debió ser mencionada. El segundo, cuando la macrista Soledad Acuña lo acusó de mentir y lo culpó directamente por la tragedia. El tercero, cuando lo insultó la macrista Florencia Polimeni: le dijo que respondía con "cara de nada", y que República Cromagnon fue una zona liberada por los inspectores, pero no aportó pruebas. "Usted no tiene excusas y si quiere que todos nos miremos al espejo, hágalo primero usted. Porque le va a pasar como a Dorian Grey ( de Oscar Wilde) cuando miraba su retrato, veía sus miserias."

Ibarra respondió sin hacerse cargo de los insultos. "Es fácil buscar responsabilidades, pero es más sincero involucrarse." Y siguió, respecto de cómo se cumplen, o no, las normas: "Cuando se apagan las cámaras de televisión, todos encienden los cigarrillos y esto acá está prohibido". Esas palabras encendieron la ira de los familiares que perdieron la paciencia y le gritaron "que se vaya".

Fue allí cuando el presidente primero Santiago de Estrada pidió un cuarto intermedio. La figura de Mauricio Macri, sobre quien todos opinaron, también sobrevoló la escena. Anoche, en principio, nadie sabía cómo iba a quedar su fuerza legislativa tras la partida de Jorge Mercado del espacio macrista. De ahí que tanto Helio Rebot, que ya anunció que es peronista, como Diego Santilli, Dora Mouzo, y varios más hayan preferido apartarse del debate. Las espadas que le quedan son Polimeni, Acuña y Gabriela Michetti, pero se le fueron los que podían dialogar con Ibarra. Por allí tambíen está Jorge Enríquez , que aspira a la titularidad del bloque y dice ser vocero macrista.

Una fuente inobjetable informó a LA NACION que ayer en el búnker de la calle Chacabuco fueron varios los que le aconsejaron al titular de Boca Juniors que anunciara públicamente que no hacía falta ir a un referéndum dado que la institucionalidad no estaba en juego. Una de esas voces, dicen, fue el ex intendente Carlos Grosso.

Anoche, en la antesala del recinto agotados secretarios de la comuna y asesores de Ibarra (familiares y amigos) aguardaban el fin de la interpelación. "Dimos todo y no somos asesinos ni corruptos", dijo uno de ellos. Otro, a su lado, reconocía que el error de Ibarra fue no haber salido a la palestra la misma noche de la tragedia. "Tuvo la posibilidad de ser un Rudolph Giulliani y la perdió, aunque todos se lo aconsejamos", finalizó.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:00 PM ::






O senador Jorge Bornhausen mira e atira no alvo quando afirma que:

"No Brasil até o passado é imprevisível"

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:08 AM ::



2/01/2005




Ficando velho...

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:33 PM ::



1/31/2005



A TV Al Jazeera é um dos poucos meios de comunicação não alinhados à política norte-americana no mundo árabe. Mas divulgar mensagens de Osama Bin Laden, não editar cenas sanguinárias do Oriente Médio e lutar por uma cobertura pluralista faz a emissora receber críticas de todos os lados.

A reportagem que o jornal New York Times de ontem estampou na capa fala sobre a pressão econômica que a TV Al Jazeera está sofrendo. Parece que a iniciativa privada vai destruir a principal característica da emissora: a sua indepêndencia.

Under Pressure, Qatar May Sell Jazeera Station

Steven R. Weisman

The tiny state of Qatar is a crucial American ally in the Persian Gulf, where it provides a military base and warm support for American policies. Yet relations with Qatar are also strained over an awkward issue: Qatar's sponsorship of Al Jazeera, the provocative television station that is a big source of news in the Arab world.

Vice President Dick Cheney, Defense Secretary Donald H. Rumsfeld, Secretary of State Condoleezza Rice, former Secretary of State Colin L. Powell and other Bush administration officials have complained heatedly to Qatari leaders that Al Jazeera's broadcasts have been inflammatory, misleading and occasionally false, especially on Iraq.

The pressure has been so intense, a senior Qatari official said, that the government is accelerating plans to put Al Jazeera on the market, though Bush administration officials counter that a privately owned station in the region may be no better from their point of view.

"We have recently added new members to the Al Jazeera editorial board, and one of their tasks is to explore the best way to sell it," said the Qatari official, who said he could be more candid about the situation if he was not identified. "We really have a headache, not just from the United States but from advertisers and from other countries as well." Asked if the sale might dilute Al Jazeera's content, the official said, "I hope not."

Estimates of Al Jazeera's audience range from 30 million to 50 million, putting it well ahead of its competitors. But that success does not translate into profitability, and the station relies on a big subsidy from the Qatari government, which in the past has explored ways to sell it. The official said Qatar hoped to find a buyer within a year.

Its coverage has disturbed not only Washington, but also Arab governments from Egypt to Saudi Arabia. With such a big audience, but a lack of profitability, it is not clear who might be in the pool of potential buyers, or how a new owner might change the editorial content.

Administration officials have been nervous to talk about the station, being sensitive to charges that they are trying to suppress free expression. Officials at the State and Defense Departments and at the embassy in Qatar were reluctant to comment. However, some administration officials acknowledged that the well-publicized American pressure on the station - highlighted when Qatar was not invited to a summit meeting on the future of democracy in the Middle East last summer in Georgia - has drawn charges of hypocrisy, especially in light of President Bush's repeated calls for greater freedoms and democracy in the region.

"It's completely two-faced for the United States to try to muzzle the one network with the most credibility in the Middle East, even if it does sometimes say things that are wrong," said an Arab diplomat. "The administration should be working with Al Jazeera and putting people on the air."

In fact, since the Iraq war, Mr. Powell and even Mr. Rumsfeld have been interviewed by Al Jazeera, though Mr. Cheney and Mr. Bush have not. But when the interim government of Iraq kicked Al Jazeera out of the country last August, the Bush administration uttered little criticism.

The administration's pressure thus encapsulates the problems of "public diplomacy," the term for the uphill efforts by Washington to sell American policies in the region.

Some administration officials acknowledge that their "public diplomacy" system is fundamentally broken, but there is disagreement on how to fix it. Two years ago, the United States launched its own Arab television network, Al Hurra, but administration officials say it has yet to gain much of a following.

Among the broadcasts criticized by the United States were repeated showings of taped messages by Osama bin Laden, and, more specifically, the reporting early last year, before Al Jazeera was kicked out of Iraq, of the journalist Ahmed Mansour, that emphasized civilian casualties during an assault on Falluja. The network also reports passionately about the Palestinian conflict.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:53 PM ::



1/30/2005


Resultado das eleições iraquianas:

30 mortos.
72 % dos cadastrados votaram, a maioria xiita.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 2:36 PM ::






Overdose iraquiana (5)

É sempre bom ler o que Robert Fisk, o correspodente britânico mais premiado da Europa, escreve sobre o Iraque:

This election will change the world. But not in the way the Americans imagined

Robert Fisk

Shias are about to inherit Iraq, but the election tomorrow that will bring them to power is creating deep fears among the Arab kings and dictators of the Middle East that their Sunni leadership is under threat.

America has insisted on these elections--which will produce a largely Shia parliament representing Iraq's largest religious community--because they are supposed to provide an exit strategy for embattled US forces, but they seem set to change the geopolitical map of the Arab world in ways the Americans could never have imagined. For George Bush and Tony Blair this is the law of unintended consequences writ large.

Amid curfews, frontier closures and country-wide travel restrictions, voting in Iraq will begin tomorrow under the threat of Osama bin Laden's ruling that the poll represents an "apostasy". Voting started among expatriate Iraqis yesterday in Britain, the US, Sweden, Syria and other countries, but the turnout was much smaller than expected.
The Americans have talked up the possibility of massive bloodshed tomorrow and US intelligence authorities have warned embassy staff in Baghdad that insurgents may have been "saving up" suicide bombers for mass attacks on polling stations.

But outside Iraq, Arab leaders are talking of a Shia "Crescent" that will run from Iran through Iraq to Lebanon via Syria, whose Alawite leadership forms a branch of Shia Islam. The underdogs of the Middle East, repressed under the Ottomans, the British and then the pro-Western dictators of the region, will be a new and potent political force.

While Shia political parties in Iraq have promised that they will not demand an Islamic republic--their speeches suggest that they have no desire to recreate the Iranian revolution in their country--their inevitable victory in an election that Iraq's Sunnis will largely boycott mean that this country will become the first Arab nation to be led by Shias.

On the surface, this may not be apparent; Iyad Allawi, the former CIA agent and current Shia "interim" Prime Minister, is widely tipped as the only viable choice for the next prime minister--but the kings and emirs of the Gulf are facing the prospect with trepidation.

In Bahrain, a Sunni monarchy rules over a Shia majority that staged a mini-insurrection in the 1990s. Saudi Arabia has long treated its Shia minority with suspicion and repression.

In the Arab world, they say that God favoured the Shia with oil. Shias live above the richest oil reserves in Saudi Arabia and upon some of the Kuwaiti oil fields. Apart from Mosul, Iraqi Shias live almost exclusively amid their own country's massive oil fields. Iran's oil wealth is controlled by the country's overwhelming Shia majority.

What does all this presage for the Sunni potentates of the Arabian peninsula? Iraq's new national assembly and the next interim government it selects will empower Shias throughout the region, inviting them to question why they too cannot be given a fair share of their country's decision-making.

The Americans originally feared that parliamentary elections in Iraq would create a Shia Islamic republic and made inevitable--and unnecessary--warnings to Iran not to interfere in Iraq. But now they are far more frightened that without elections the 60 per cent Shia community would join the Sunni insurgency.

Tomorrow's poll is thus, for the Americans, a means to an end, a way of claiming that--while Iraq may not have become the stable, liberal democracy they claimed they would create--it has started its journey on the way to Western-style freedom and that American forces can leave.

Few in Iraq believe that these elections will end the insurgency, let alone bring peace and stability. By holding the poll now--when the Shias, who are not fighting the Americans, are voting while the Sunnis, who are fighting the Americans, are not--the elections can only sharpen the divisions between the country's two largest communities.

While Washington had clearly not envisaged the results of its invasion in this way, its demand for "democracy" is now moving the tectonic plates of the Middle East in a new and uncertain direction. The Arab states outside the Shia "Crescent" fear Shia political power even more than they are frightened by genuine democracy.

No wonder, then, King Abdullah of Jordan is warning that this could destabilise the Gulf and pose a "challenge" to the United States. This may also account for the tolerant attitude of Jordan towards the insurgency, many of whose leaders freely cross the border with Iraq.

The American claim that they move secretly from Syria into Iraq appears largely false; the men who run the rebellion against US rule in Iraq are not likely to smuggle themselves across the Syrian-Iraqi desert when they can travel "legally" across the Jordanian border.

Tomorrow's election may be bloody. It may well produce a parliament so top-heavy with Shia candidates that the Americans will be tempted to "top up" the Sunni assembly members by choosing some of their own, who will inevitably be accused of collaboration. But it will establish Shia power in Iraq--and in the wider Arab world--for the first time since the great split between Sunnis and Shias that followed the death of the Prophet Muhammad.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:59 AM ::






Overdose iraquiana (4)

Um iraquiano declarou para Roberto Lameirinhas, enviado especial do O Estado de São Paulo no Iraque:

"Não há o que mudar e não acho que alguma coisa mudará. Os americanos continuarão aqui e os terroristas seguirão com seus ataques. Uma eleição não tem o poder de modificar esse quadro."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:49 AM ::






O Jornal Nacional avisou ontem que não enviou jornalistas para o Iraque por considerar que não havia segurança suficiente para a produção de reportagens.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:44 AM ::






Overdose iraquiana (3)

O presidente norte-americano George W. Bush fala sobre as elieções do Iraque no seu programa de rádio:

"Good morning.

Tomorrow the world will witness a turning point in the history of Iraq, a milestone in the advance of freedom, and a crucial advance in the war on terror. The Iraqi people will make their way to polling centers across their nation. On the national ballot alone, voters will choose from nearly 19,000 candidates competing for seats in the Transitional National Assembly, in the country's 18 provincial councils, and in the Kurdistan National Assembly.


This historic event will be overseen by the Independent Election Commission of Iraq, and will mark the first genuine, nationwide elections in generations. The terrorists and those who benefited from the tyranny of Saddam Hussein know that free elections will expose the emptiness of their vision for Iraq. That is why they will stop at nothing to prevent or disrupt this election.

The terrorist Zarqawi -- who plans and orders many of the car bombings and beheadings in Iraq -- recently acknowledged the threat that democracy poses to his cult of hatred. 'Of democracy in Iraq,' he said, 'we have declared a fierce war against this evil principle.' He denounced as infidels all who seek to exercise their right to vote as free human beings.

Yet in the face of this intimidation, the Iraqi people are standing firm. Tomorrow's elections will happen because of their courage and determination. All throughout Iraq, these friends of freedom understand the stakes. In the face of assassination, brutal violence and calculated intimidation, Iraqis continue to prepare for the elections and to campaign for their candidates. They know what democracy will mean for their country: a future of peace, stability, prosperity and justice for themselves and for their children. One resident of Baghdad said, 'This election represents what is possible. To me, it's the start of a new life.'

This election is also important for America. Our nation has always been more secure when freedom is on the march. As hope and freedom spread, the appeal of terror and hate will fade. And there is not a democratic nation in our world that threatens the security of the United States. The best way to ensure the success of democracy is through the advance of democracy.

Tomorrow's vote will be the latest step in Iraq's journey to permanent democracy and freedom. Those elected to the transitional National Assembly will help appoint a new government that will fully and fairly represent the diversity of the Iraqi people. This assembly will also be charged with drafting a permanent constitution that will be put to a vote of the Iraqi people this fall. If approved, a new nationwide election will follow in December that will choose a new government under this constitution.

As democracy takes hold in Iraq, America's mission there will continue. Our military forces, diplomats and civilian personnel will help the newly-elected government of Iraq establish security and train Iraqi military police and other forces. Terrorist violence will not end with the election. Yet the terrorists will fail, because the Iraqi people reject their ideology of murder.

Over the past year, the world has seen successful elections in Afghanistan, Malaysia, Indonesia, Georgia, Ukraine, and the Palestinian territories. In countries across the broader Middle East, from Morocco to Bahrain, governments are enacting new reforms and increasing participation for their people.

Tomorrow's election will add to the momentum of democracy. One Iraqi, speaking about the upcoming vote, said, 'Now, most people feel they are living in darkness. It is time for us to come into the light.' Every Iraqi who casts his or her vote deserves the admiration of the world. And free people everywhere send their best wishes to the Iraqi people as they move further into the light of liberty.

Thank you for listening."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:38 AM ::






Overdose iraquiana (2)

A Folha Online também preparou uma ótima cronologia pós-Saddam:

Veja os principais fatos do Iraque após a queda de Saddam

Leia seqüência dos eventos ocorridos no Iraque desde a queda do regime de Saddam Hussein, simbolizada pela derrubada da estátua do ex-ditador na praça Al Firdos [o paraíso], na capital Bagdá, em dia 9 de abril de 2003.

2004

15 de dezembro - Campanha eleitoral iraquiana começa formalmente, com mais de 230 partidos e grupos políticos.

20 de novembro - O Clube de Paris [formado pela Áustria, Austrália, Bélgica, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Holanda, Noruega, Rússia, Espanha, Suécia, Suíça e Estados Unidos] declara o perdão de 80% da dívida externa do Iraque.

8 de novembro - Tropas americanas lançam ofensiva em larga escala em Fallujah [50 km a oeste de Bagdá]. Uma semana depois, as forças militares dos EUA anunciam que têm o controle da cidade. Cerca de 1.600 rebeldes são mortos e mais de mil são presos.

7 de novembro - Governo interino do Iraque declara estado de emergência por 60 dias. O estado de emergência dá ao governo o direito de impor toques de recolher, estabelecer postos de controle, dar busca e deter cidadãos, que precisam ser apresentados a um juiz no prazo de 24 horas.

1º de outubro - O Exército americano inicia ofensiva contra insurgentes iraquianos em Samarra [125 km de Bagdá].

26 de agosto - O aiatolá Ali al Sistani, principal líder político xiita do Iraque, faz acordo com o clérigo Moqtada al Sadr [contrário à ocupação dos EUA] para encerrar o levante de rebeldes em Najaf [sul do Iraque].

18 de agosto - Líderes políticos e religiosos iraquianos escolhem uma assembléia interina de cem membros para preparar o país para as eleições de janeiro de 2005.

1º de junho - O Conselho de Governo Iraquiano é dissolvido, abrindo caminho para o governo interino do premiê iraquiano, Iyad Allawi.

28 de junho - Os EUA entregam a soberania parcial do Iraque a um governo interino em uma cerimônia-surpresa que acabou antes de ser anunciada publicamente e, mesmo antes que os próprios iraquianos soubessem dela. O administrador civil americano, Paul Bremer, entrega uma carta a autoridades iraquianas selando a transferência formal de poderes.

17 de maio - O chefe do Conselho de Governo Iraquiano, Abdul Zahra Othman Mohammad, conhecido como Izzedin Salim, morre na explosão de um carro-bomba na entrada da Zona Verde, onde está o quartel-general da coalizão liderada pelos EUA no Iraque, no centro de Bagdá.

14 de abril - Seqüestradores matam o refém italiano Fabrizio Quattrocchi. Mais de cem estrangeiros foram seqüestrados no Iraque desde então e diversos foram decapitados.

4/5 de abril - Forças militares americanas iniciam grande operação em Fallujah contra rebeldes sunitas. Começa o levante de seguidores leais ao clérigo xiita Moqtada al Sadr em Bagdá e no sul do país.

31 de março - Quatro pessoas morreram, entre elas um civil americano e uma mulher. Alguns corpos foram incendiados, mutilados e pendurados em pontes, como sinal de ?vitória?. Em outro ataque, cinco soldados dos EUA morrem com a explosão de uma bomba sob o carro em que viajavam, na Província de Anbar, na região de Fallujah.

8 de março - Membros do Conselho de Governo Iraquiano assinam uma Constituição interina que deve reger o país até o segundo semestre deste ano.

2 de março - Ao menos 170 pessoas morrem em Karbala (sul do Iraque) e Bagdá (capital do país), quando uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas comemorava o feriado religioso da Ashura --décimo dia do mês muçulmano de Muharram.15 de janeiro - As cédulas de dinheiro iraquiano impressas com o rosto de Saddam Hussein deixam de ter valor.

2003

13 de dezembro - Saddam Hussein é capturado às 20h30 (15h30 no horário de Brasília), por uma força de quase 600 soldados americanos em um esconderijo no sótão de uma residência perto da cidade de Al Daur, a cerca de 15 km ao sul de Tikrit (cidade natal de Saddam).

29 de agosto - Explosão de um carro-bomba na cidade sagrada de Najaf mata mais de 80 pessoas, incluindo o principal líder xiita iraquiano, aiatolá Mohammed Baqer al Hakim.

19 de agosto - Uma explosão de carro-bomba atinge a sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Bagdá, matando 15 pessoas, incluindo o diplomata Sérgio Vieira de Mello, 55, e deixando dezenas de feridos.

22 de julho - O Exército americano confirma a morte dos dois filhos de Saddam Hussein, Uday e Qussay Hussein, em um tiroteio na cidade de Mossul [norte do Iraque].

13 de julho - O Conselho do Governo Transitório iraquiano, formado por 25 membros, primeiro poder executivo desde a queda de Saddam, se reúne pela primeira vez.

12 de maio - Paul Bremer se torna o chefe da administração civil dos Estados Unidos no Iraque. Em pouco tempo, Bremer dissolve o Exército, as agências de segurança e os ministérios da Defesa e da Informação iraquianos.

1º de maio - O presidente norte-americano, George W. Bush, declara o fim dos principais combates no Iraque.

1º de maio - O presidente norte-americano, George W. Bush, declara o fim dos principais combates no Iraque.

9 de abril - Tropas americanas entram em Bagdá, derrubam a estátua do ex-ditador, em meio a manifestações e saques nas ruas. A derrubada da estátua simboliza a queda oficial do governo de Saddam.
.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:21 AM ::






Overdose iraquiana neste domingo no Olhos de Mosca. Vou postar tudo e mais um pouco sobre o Iraque, portanto, se preparem: muitas as atualizações hoje.

Começamos com uma cronologia bem legal que a Folha Online preparou:

Veja os principais fatos do Iraque no século 20

Violência e caos dominam atualmente o Iraque, um país que já foi parte do Império Otomano [que estabeleceu seu poder sobre o mundo árabe nos séculos 16 e 17. Bagdá caiu em mãos otomanas em 1534, foi perdida logo depois e reconquistada em 1638]. A história do Iraque é marcada por intensas revoluções e disputas de poder entre reis. Mais tarde o país foi assumido pelo o ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003), que foi deposto pelo Exército americano.

Veja os principais acontecimentos do Iraque no século 20:

30 de janeiro de 2005: Data das eleições para formação da Assembléia Nacional de transição, que vai escrever uma Constituição para o país.

9 de abril de 2003: Soldados americanos tomam conta da cidade de Bagdá, e destituem Saddam.

15 de outubro de 2002: Saddam vence referendo, o que lhe garante mais sete anos no poder.

24 de março de 1996: O Partido Baath [de Saddam] domina a eleição parlamentar.

15 de outubro de 1995: Saddam vence referendo presidencial com mais de 99% dos votos.

Março de 1991: Saddam promete um sistema político que englobaria vários partidos, mas muda de idéia e diz que o Baath continuará dominando o poder.

25 de julho de 1988: Saddam adia as eleições parlamentares.

Outubro de 1984: São realizadas eleições parlamentares. O Baath fica com 73% dos assentos.

20 de junho de 1980: Ocorre a primeira eleição parlamentar no Iraque, desde 1958. Membros do Partido Baath ficam com 187 das 250 cadeiras da Assembléia Nacional.

16 de julho de 1979: Saddam assume a Presidência do Iraque.

Novembro de 1969: Saddam Hussein entra para o Conselho do Comando Revolucionário, e se torna vice-diretor. O órgão era, até então, um dos mais importantes no Estado iraquiano.

20 de julho de 1968: Funcionários do governo nacionalistas e membros do Partido Baath expulsam o presidente Abdul Rahman Aref, que sucedeu o seu irmão depois de 1966. Ahmed Hassan al Bakr torna-se presidente.

Abril de 1964: Uma nova Constituição dá poderes ao presidente eleito do Conselho do Comando Revolucionário.

Fevereiro de 1963: Membros do Partido Baath e nacionalistas árabes tomam o poder. Abdul Salam Aref se torna presidente e expulsa os membros do partido.

1º de agosto de de 1958: A Federação Árabe é suspensa.

14 de julho de 1958: Um golpe militar tira a dinastia hashemita do poder. O rei Faisal e o primeiro-ministro Nuri al Said são assassinados. O Iraque se torna uma república sob o comando do brigadeiro Abdul Karim Qassem.

14 de fevereiro de 1958: O rei Faisal e o rei Hussein da Jordânia proclamam a união de seus países, sob a nova Federação Árabe.

13 de outubro de 1932: O domínio britânico termina. O Iraque se torna independente.

10 de outubro de 1922: Um acordo anglo-iraquiano é assinado, e ratificado em março de 1924 pela Assembléia Constituinte Nacional.

23 de agosto de 1921: Faisal bin Hussein, rei da dinastia hashemita deposto da Síria, é coroado rei depois de aceitar o trono iraquiano, controlado pelos britânicos.

25 de abril de 1920: O Iraque, que já foi uma parte do Império Otomano, é criado, segundo ordens da Liga das Nações, que quer preparar o país para a independência. A revolta dos iraquianos dura até outubro, quando um Conselho de Estado Árabe é criado provisoriamente.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:13 AM ::



1/28/2005


Em noite fria, Maria, uma das prostitutas mais velhas em Maringá, precisa vestir saia curta e blusinha decotada. Na esquina que fica as Lojas Pernambucanas, ela cruza os braços, treme os lábios e comenta:

"Amanhã vai ser um dia melhor..."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:06 PM ::






O presidente Bush conclama os iraquianos a desafiar ameaças e ir às urnas no domingo. Dentro da casa Branca deve ser fácil falar...

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:55 AM ::



1/27/2005


A arte de não falar nada (2)

Mais pérolas de um presidente que adora falar...

Problema é para ser resolvido: "Não joguem fora essa oportunidade [sobre o programa Universidade para Todos]. Possivelmente vocês tenham problemas e, se tiverem, procurem alguém para resolver. Não tem problema que não tenha solução se a gente enfrentar."

Lula descobre o óbvio educacional: "Todo o dinheiro que o Estado coloca na educação não pode ser tratado como gasto, mas como investimento que trará retorno."

Tudo hermanos: "Há pouco mais de dois anos um país importante como a Argentina sequer tinha visão de eleger um presidente da República, porque se imaginava que o Menem voltaria a ser presidente. O que aconteceu na Argentina é que o companheiro Menem [na verdade, Nestor Kirchner] assumiu a presidência da Argentina e está mudando não apenas a relação do governo com seu povo, mas está contribuindo para mudar a relação entre os Estados da América Latina."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 8:54 PM ::






O jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria sensacional direto do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre:

Camisetas e bandeiras do PT encalham nas bancas
Vera Rosa

Às margens do Guaíba, chapéu vermelho na cabeça para se proteger do sol , o baiano Humberto Jesus da Silva era a expressão do desânimo na tarde de ontem. Com 53 anos, militante do PT e aposentado, Silva nunca pensou em passar maus bocados para defender seu partido justamente em Porto Alegre, que até as eleições de outubro foi a capital do petismo. Mas, depois de dois dias sem vender uma única camiseta com a fisionomia do presidente Lula, ficou aperreado e tomou uma atitude radical: pôs o PT em liquidação.

"Era R$ 15 e agora é R$12", dizia ele, ao anunciar a pechincha para as camisetas da série Lula presidente, que tinham até o slogan "A Esperança venceu o medo", da campanha de 2002. O mesmo preço valia para bandeiras do PT e CDs com os jingles que embalaram os petistas nos últimos anos.

Enquanto a pilha petista estava encalhada, o líder guerrilheiro Che Guevara fazia sucesso e não precisava de desconto. Militantes pagavam com gosto R$ 15 pela lembrança do ídolo. Alguns até achavam barato.

Na calçada da Usina do Gasômetro, a banquinha de Silva virou um ponto de encontro para discutir os rumos do governo Lula. Estrategicamente situada perto do Acampamento Intercontinental da Juventude, ela estava bem sortida, recheada de buttons, camisetas, bandeiras, CDs e até livros com a biografia do presidente.

"Lula e o PT não estão vendendo nada. Não era para acontecer isso", lamentava Silva. "Esse governo tem de melhorar para aumentar mais as minhas vendas. Assim não dá." Mas nem tudo estava perdido. Para salvar o dia de Silva, um argentino acabou comprando uma camiseta com o rosto de Lula, no fim do expediente odara. "Você me deu sorte", brincou ele.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:15 PM ::



1/26/2005



.::Um motivo para gritar gol::.

As rádios locais afirmavam que haviam cinco mil torcedores no estádio Willie Davis. Mas um maringaense jura que contou mais de dez mil pagantes. Os habitantes da Cidade Canção (que há muito tempo deixou de ser musical) estavam felizes por assistirem um jogo de placar 1x0. O vermelho Campo Mourão correu bonito no primeiro tempo, perdeu fôlego no segundo e deixou a coxas branca do Coritiba marcar um único gol.

Para qualquer torcedor, o jogo foi uma miséria de belos lances. Mas não estamos falando de torcedores normais. Estamos falando de cinco ou dez mil pessoas que vivem em uma cidade que cansou de não ter um time decente. A última notícia do Grêmio Maringá foi a prisão do técnico, supostamente um agiota de mão cheio. Minto. A última notícia foi a liberação do técnico sem que ele sofresse um único arranhão da justiça.

No início de dezembro, o ex-prefeito mentiu que reformou os banheiros do estádio. No início de janeiro, o novo prefeito de Maringá prometeu não apenas um único time na série A do Campeonato Paranaense, mas dois. No fim de janeiro, os marigaenses continuavam vibrando por times estrangeiros. O grito no único gol da partida foi meio abafado, sem motivo.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:30 PM ::






A arte de não falar nada (1)

Lula quer acabar com a fome do mundo. Quer que o Brasil tenha uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Quer ser amado no Fórum Social Mundial e, ao mesmo tempo, em Davos. Quer tudo e, como não consegue nada, só fala.
A partir de hoje, o blog Olho de Mosca vai publicar as pérolas do nosso presidente para comprovar que em seus discursos só há obviedades.

Como acordar de manhã: "É preciso que a gente acredite e que a gente redesenhe, na nossa cabeça, o Brasil que nós queremos construir, porque, se a gente ficar como um bando de madona chorona, que levanta todo dia achando que nada vai dar certo, é melhor nem sair de casa. É melhor levantar de bom humor. Se não acreditam no presidente, pelo menos acreditem em vocês e façam o Brasil do tamanho que vocês esperam que ele seja."

Lula descobre que a seca é uma indústria: "Já ouvi políticos falarem com dó do povo da seca. Mas a seca virou uma indústria para "enricar" determinado tipo de político que nem deveria existir, que utiliza a miséria para crescer."

Mania de perseguição: "Vocês já começam a ver críticas em alguns meios de comunicação, porque no Brasil é assim: toda vez que o pobre começa a ter um mínimo de ascensão, aparecem os de cima e começam a fazer crítica. Para eles, pobre tem que ser pobre a vida inteira."

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:30 PM ::



1/25/2005


Os uruguaios choram nesse momento. O filme Whisky, produção que eles se orgulham em mostrar para qualquer turista, não está entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Confira:

Melhor Filme estrangeiro

As It is in Heaven (Suécia)
The Chorus (França)
Downfall (Alemanha)
Mar Adentro (Espanha)
Yesterday (África do Sul).

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 4:06 PM ::



1/23/2005



.::Soy Nico, me quedé sólo::.

A imagem de um menino de quatro anos está estampada em vários outdoors de Buenos Aires. Nico sumiu depois do incêndio da discoteca República Cromañon. Polícia, meios de comunicação, ONGs e grande parte da sociedade tentam recuperar um dos poucos vestígios vivos de uma tragédia que chocou a capital argentina e o mundo.

Na foto, a avó mostra a foto de Nico.


El País: (21/01/05)

Argentina procura menino sumido em incêndio

Certa manhã de dezembro, Romina Flores, 23 anos, do bairro de Florencio Varela, na periferia de Buenos Aires, convenceu uma amiga a ganhar uns trocados extras naquela noite limpando os banheiros da discoteca República Cromañón durante o concerto de um conhecido grupo de rock.

Podia levar seu filho, Nico, 4 anos, que ficaria num dos banheiros, onde seria improvisada uma creche. Romina morreu no incêndio da discoteca, mas não há vestígios de seu filho. Autoridades, associações e particulares se lançaram à busca. "Há várias hipóteses. Pode ser que uma mãe cujo filho tenha morrido no incêndio tenha levado Nico e ficado com ele. Justamente, o objetivo desta campanha é provocar que o entorno dessa pessoa tome consciência e informe sobre o paradeiro do menino", declarou na quarta-feira (19/01) ao El País Susan Murray, da organização Missing Children [Crianças Desaparecidas], um dos organismos que se encarregaram da localização do menino.

Em alguns meios de comunicação locais foram mostradas imagens em que aparece uma mulher com um menino que poderia ser o desaparecido. "A família não reconheceu o menino nessas imagens, mas está tudo muito confuso", explicou Murray.

Outro elemento que poderia ser esclarecedor no caso é a presença do cadáver de um menino de 7 a 9 anos em um necrotério de Buenos Aires que ninguém reclamou desde que ocorreu o incêndio. Mas a família também não reconheceu o corpo como o de Nico. "O mais provável é que os pais desse menino também tenham morrido no incêndio", opinou a representante da Missing Children, que acrescentou: "O que está acontecendo é terrível, mas pelo menos estamos lidando com a hipótese de que o menino esteja vivo".

Segundo relataram algumas testemunhas, quando o incêndio começou a tomar proporções consideráveis e a fumaça a engrossar, muitas mulheres com crianças fugiram para o banheiro feminino, onde a água estava cortada por decisão do proprietário da discoteca. Em conseqüência do fogo dez crianças morreram, entre elas uma bebê de apenas dez meses, cuja mãe também morreu no desastre.

Não foi a primeira vez que ocorreu um incêndio na discoteca, e embora pareça surrealista o local tinha dois empregados encarregados de sufocar rapidamente os pequenos focos de incêndio que ocorriam durante os espetáculos devido à utilização de fogos de artifício.

Um deles é Juan Carlos Bordón, que recebia 35 pesos [cerca de R$ 32] por noite e sofreu queimaduras diversas vezes tentando apagar os fogos. Mas em seu trabalho também tinha de atender os clientes nos diversos bares do local, o que estava fazendo na noite de 30 de dezembro quando ocorreu a tragédia.

Quanto ao avanço das investigações, o proprietário da discoteca, Omar Chabán, foi transferido na quarta-feira para a prisão de segurança máxima de Marcos Paz, na província de Buenos Aires, enquanto seu advogado declarou que estava certo de que o polêmico empresário havia recorrido a subornos para evitar o fechamento do República Cromañón, diante da insegurança de suas instalações.

Enquanto isso, continua o fechamento de locais em toda a Argentina, apesar dos protestos de diversos setores produtivos diante dos prejuízos que está provocando o fechamento indefinido de muitos locais públicos. Para esse fim de semana, poderia ser suspensa a ordem de fechamento que afeta algumas discotecas de Buenos Aires.

Clarín (04/01/05):

La familia de "Nico" espera que un milagro lo devuelva

La familia de Alejandro Nicolás Flores, "Nico", el chico de cuatro años que sigue sin aparecer desde el incendio del boliche de Once, espera sólo un milagro. Peregrinó por todos los hospitales sin encontrarlo y apenas renovó sus esperanzas ayer, después de recibir varios llamados de personas que afirmaban haber reconocido al niño en una imagen de Crónica TV en las horas siguientes a la tragedia.

En la disco Cromañón murió Romina, la madre de "Nico" Flores. Según Eduardo Alemann, de Red Solidaria, pasado el mediodía y luego de que el canal TN difundiera una foto de Nicolás, cinco personas se comunicaron con la Red para asegurar que el chico de la foto era el mismo que había mostrado Crónica TV. Cuatro de ellos coincidían en que el niño estaba en brazos de una mujer y que gritaba "Soy Nico, me quedé sólo". El quinto llamado citaba a un hombre corpulento, de remera negra, que cargaba al chico.Desde que se enteraron del incendio en la discoteca República Cromañón, la familia Flores vive una pesadilla. "Todo esto es muy shockeante", dijo ayer, conmovida, Stella Maris Flores, abuela de "Nico".

Primero debió afrontar la muerte de su hija Romina, de 23 años, mamá de Nicolás, que fue enterrada el domingo en Berazategui. Después empezó la búsqueda desesperada de su nieto.

El 30 de diciembre Romina estaba con su hijo en el boliche de Once por casualidad. Había sido invitada por su amiga, Rosa Sandoval, quien trabajaba limpiando los baños del lugar y que también murió junto a su hijo de ocho años en la disco. Según Victor Lemus, padrino de "Nico", Romina y su hijo fueron sacados con vida a través de una ventana por "Chichila", un vecino de la familia Flores que presenciaba el recital de "Callejeros", y que los dejó afuera para ingresar al local a sacar a más personas. En ese interín, Romina fue trasladada al hospital Argerich donde murió minutos después. Y de Nicolás no se sabe nada desde entonces.Mientras tanto, sigue sin ser identificado en la Morgue el cuerpo de un chico de entre cinco y ocho años , que fue visto el domingo por el papá de "Nico", Ricardo Frías, por su padrino y por su abuelo, Roberto Flores. Según Lemus, era un chico más grande que tenía una remera que decía "Soccer". En cambio, ellos buscaban una musculosa azul con la inscripción "California": la que vestía Nicolás la noche de la tragedia.

El padre de "Nico", separado de Romina, se enteró el viernes, cuando regresó de su trabajo en La Plata, que su ex mujer y su hijo habían ido a Cromañón y estaban desaparecidos. El domingo, el mismo día en que cumplió 23 años, enterró a su ex esposa y tuvo que ir a la Morgue a certificar que el cuerpo que estaba allí no era el de su hijo.

Nicolás cumplió cuatro años el 15 de diciembre. Al igual que su mamá, es fanático de la cumbia. "Es un chico muy alegre, muy vivo, y responde cualquier cosa que le pregunten", contó su padrino. Por cualquier información, comunicarse al 155769-6318 o al 1550139495.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 4:03 PM ::



1/22/2005


Contextualização

Saiu na Folha (20/01/2005):

Brasileiros já foram seqüestrados em zonas de conflito

Brasileiros já foram alvo de seqüestradores outras vezes em zonas de conflito. As vítimas trabalham, em geral, para empresas de construção civil ou entidades humanitárias.

É o caso das duas missionárias feitas reféns por 59 dias pelo movimento rebelde angolano Unita, hoje um partido político, entre 85 e 86. O período é inferior aos cinco meses que o mestre-de-obras Clóvis Danúbio de Azevedo, da Odebrecht, passou com os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional, em 97, na Colômbia.

No Cáucaso, as ações envolvendo brasileiros começaram em 99, quando o enfermeiro da Cruz Vermelha Internacional Geraldo Cruz Pires Ribeiro passou 65 dias nas mãos de seqüestradores na Tchetchênia.

Dois anos depois, um grupo separatista do país assumiu o seqüestro de cem pessoas, entre elas dez brasileiros funcionários da Companhia Vale do Rio Doce, em um hotel em Istambul (Turquia). Eles ficaram 12 horas em poder do grupo.

O terrorismo no Oriente Médio vitimou em 2003, na explosão da ONU em Bagdá, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado da entidade no Iraque.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 2:49 PM ::



1/21/2005




As vezes uma imagem fala mais do que mil palavras. Um baita clichê, mas perfeito para definir o site Crisis Pictures.

Lá você encontra muitas fotos e alguns vídeos de guerras e desastres que não são difundidos pelos principais meios de comunicação. A idéia dos criadores é chocar as pessoas para que, depois do susto inicial, alguma coisa seja feito.

Uma ótima oportunidade para ver imagens que os editores rejeitam para que o leitor não vomite o seu café da manhã enquanto lê seu jornal.



.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 3:57 PM ::



1/20/2005


Íntegra da nota da Construtora Norberto Odebrecht S.A. sobre o desaparecimento de um funcionário brasileiro da empresa no Iraque:

Odebrecht Engenharia e ConstruçãoComunicado à Imprensa:

A Construtora Norberto Odebrecht S.A. comunica que está fazendo todos os esforços necessários para o breve e favorável desfecho do provável seqüestro de um dos seus integrantes, acontecido na manhã do dia 19 de janeiro, nas proximidades da cidade de Baiji, no Iraque, onde a empresa participa da obra de reforma de uma usina termelétrica. A Odebrecht esclarece também que a divulgação de novas informações será feita por meio de comunicados oficiais e estará condicionada ao objetivo maior de atender às medidas de segurança necessárias à melhor condução do assunto.

A Diretoria.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:10 AM ::



1/19/2005


Resposta inútil de quarta-feira:

Um comercial de 30 segundos no Jornal nacional custa em média R$ 120 mil.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:52 PM ::






Pergunta inútil de quarta-feira:

Quanto custa um anúncio no intervalo do Jornal Nacional?

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 8:24 PM ::






Voltei de viagem.
Antes de qualquer coisa, quero deixar registrado meus agradecimentos para a Giovana Sanchez que atualizou o blog enquanto estava em Montevideu, Colônia de Sacramento e Buenos Aires. Aliás, Gi: o que está esperando para criar seu blog jornalístico? Vai ser concorrência brava com o meu! :)

Eu voltei e o Brasil consegue um título que é bem a cara da nossa economia. Deu na Folha de São Paulo de hoje:

País já tem maior taxa de juro real do mundo
por Fabricio Vieira


O Brasil iniciou 2005 com o título nada honroso de campeão mundial dos juros reais, com a taxa mais alta do planeta. Após seu maior "rival", a Turquia, baixar seus juros em dezembro, o Brasil, que ainda segue elevando suas taxas, passou a liderar o ranking dos países com maiores juros reais (descontada a inflação), elaborado pela consultoria GRC Visão.

O atual patamar de 17,75% da taxa básica (Selic) já seria suficiente para dar o título ao país. Se a expectativa do mercado for ratificada e a Selic subir hoje para 18,25%, os juros reais chegarão a 11,87%, maior nível desde outubro de 2003. O cálculo é realizado descontando da taxa de juros as expectativas do mercado para a inflação pelos próximos 12 meses.

Na Turquia, a segunda colocada, após o corte de dois pontos percentuais feito em dezembro, a taxa real caiu para 9%. A elevação do juro real pode sinalizar o fim do atual ciclo de aperto monetário. Ao elevar a taxa básica (Selic), como tem feito desde setembro, o Copom busca aumentar o juro real a um nível que diminua as ameaças de pressões inflacionárias decorrentes do aquecimento econômico. "É importante o recente aumento dos juros reais. Independentemente da magnitude da alta da Selic a ser decidida nesta reunião do Copom, é evidente que o aperto monetário está próximo do fim", diz Alexandre Maia, da Gap Asset Management.

O aumento da taxa real pode ter efeito perverso sobre o humor dos empresários, pois serve de referência na hora de o setor privado planejar investimentos futuros. Um outro reflexo negativo é o possível aumento das taxas praticados no mercado, como cheque especial e crédito pessoal. O Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia hoje como fica a taxa básica. A expectativa predominante entre os analistas financeiros é que a Selic suba de 17,75% para 18,25% anuais. A taxa real brasileira está muito distante da média geral. Considerando os 40 países que aparecem na pesquisa realizada pela GRC Visão, a taxa média de juro real é de 1,6%. O México, por exemplo, tem taxa real de 4,4%. Para a Modal Asset Management, apesar da "recente deterioração das expectativas de inflação do mercado", o ajuste mais significativo da curva de juros reais "deve evitar uma postura mais dura do BC e sancionar o consenso de alta de 0,50 ponto percentual na Selic".

Na segunda-feira, o boletim Focus do BC mostrou que a expectativa do mercado para o IPCA em 2005 subiu de 5,67% para 5,7%. A meta de inflação do BC é de 5,1% em 2005. Por um outro critério, considerando as taxas prefixadas de 360 dias, a taxa de juros reais subiu de cerca de 10,85% para 12% anuais entre a reunião do Copom de dezembro e ontem. Na BM&F, as taxas futuras de juros voltaram a subir, mostrando que já há quem aposte na possibilidade de a Selic ser elevada em 0,75 ponto percentual. A taxa do contrato DI (Depósito Interfinanceiro) com resgate daqui a um ano fechou em 18,42%, contra 18,35% do dia anterior. O contrato DI com prazo de vencimento em seis meses encerrou o pregão em 18,70%, ante 18,66% registrada na segunda.

O dólar também subiu e fechou a R$ 2,719, com alta de 0,67%.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:24 PM ::



1/18/2005


A Revista eletrônica Pangea (www.revistapangea.com.br) é um dos melhores quinzenários quando o assunto é relações internacionais. O professor Nelson Bacic, um dos editores, falou nessa entrevista ao Olhos de Mosca, sobre as eleições no Iraque. Obrigada ao professor pelas ótimas respostas que ajudam a entender mais sobre o panorama do conflito.


1. Na atual situação política do Iraque, qual o significado das eleições do dia 30?

Nelson Bacic - As eleições do próximo dia 30 de janeiro no Iraque, podem ter vários significados. Para o governo norte-americano, é ponto de honra realizá-las. Os EUA crêem que se a democracia for implantada no Iraque (um regime que nunca existiu no país), ele seria uma espécie de vitrine para os demais países não democráticos do Oriente Médio.

Para os iraquianos, o significado parece ser bem diferenciado. Alguns acreditam que a introdução de um regime democrático no país seria a cura para todos os males. Outros, no entanto, tentam fazer o possível para que as eleições não aconteçam, pois seriam contra seus objetivos.

Deve-se lembrar que as eleições do dia 30 são para escolha de uma assembléia nacional que redigirá uma nova constituição para o Iraque e levará à formação de um governo efetivamente eleito.

2. O que poderia ocorrer no caso de um governo predominantemente xiita vencer a eleição?

Nelson Bacic - Teoricamente a eleição de um governo xiita seria possível, já que cerca de 60% da população iraquiana professa esse ramo do islamismo. Ressalte-se que os xiitas, apesar de majoritários, nunca estiveram no poder. A concretização desse fato poderia levar a uma aproximação entre os xiitas iranianos e iraquianos. Todavia, isso poderia não acontecer porque existem rivalidades de caráter étnico entre esses dois grupos (os iraquianos são árabes e os iranianos são persas). Por outro lado, os xiitas iraquianos sabem que o Irã seria o próximo alvo da Doutrina Bush. Deve-se lembrar também que existem divisões entre os próprios xiitas iraquianos que, não necessariamente, poderiam se juntar para manter a governança do país.

Além disso, os xiitas do Iraque teriam, provavelmente, uma ferrenha oposição dos sunitas iraquianos (cerca de 20% da população) e que estiveram no poder durante todo o tempo desde a independência. Deve-se lembrar também que há uma grande rivalidade entre sunitas e xiitas do Iraque, sendo que os últimos, de maneira geral, consideram os primeiros quase tão "infiéis" quanto os ocidentais.

Resumindo: um eventual governo xiita teria grandes problemas internos e externos a superar.

3. Na sua opinião, qual seria a consequência da saída das tropas norte-americanas logo após o processo eleitoral?

Nelson Bacic - Não se vislumbra, pelo menos por enquanto, a saída das tropas norte-americanas após o processo eleitoral. Há quase um consenso entre os estrategistas americanos que, mesmo que as eleições sejam um retumbante sucesso (o que é pouco provável), as tropas norte-americanas teriam que ficar presentes no país por pelo menos 2 a 3 anos para que o processo democrático se consolidasse.

Uma eventual saída repentina das tropas americanas, lançaria o Iraque numa guerra civil que provavelmente levaria à formação de três "países": um dominantemente xiita no centro-sul, um dominantemente sunita na porção central e um Estado curdo na porção setentrional do país. As conseqüências desse cenário seriam funestas para todo o Oriente Médio.

4. O termo insurgência, utilizado pela mídia em geral, é correto para designar a oposição à invasão norte-americana no Iraque?

Nelson Bacic - Segundo o dicionário Houaiss, insurgir significa revoltar(-se) contra um poder estabelecido; levantar(-se), sublevar(-se), erguer(-se). Acredito que o termo insurgência possa ser usado para designar a oposição dos iraquianos à presença norte-americana no país. O que talvez possa ser ressaltado é que os insurgentes não são apenas iraquianos. Há entre os insurgentes um número cada vez maior de estrangeiros lutando contra os norte-americanos. Por exemplo, atualmente, o "inimigo público número 1" dos norte-americanos no Iraque é o jordaniano Al Zarqwi, que segundo os órgãos de inteligência é o "representante" da Al Qaeda no Iraque.

Parece estar acontecendo no Iraque fatos semelhantes aos que ocorreram durante a invasão soviética do Afeganistão (1979/1988) e no Afeganistão dos Talibans (1994/2001), quando se formaram nesses dois países autênticas "multinacionais extremistas".


Por Giovana Sanchez
(Fico responsável pela atualaização do blog até a volta do Bruno, que está viajando. Dúvidas ou comentários: gioveva@uol.com.br)

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 1:14 PM ::



1/16/2005


Resumo do jornal argentino Clarín de domingo:

1- Na manchete principal, o número de roubo de carros abaixou na capital e na Grande Buenos Aires em 2004: Bajó 38% el robo de autos en 2004

2- Um soco bem dado na cara dos argentino que adoram parecer europeus. A Universidad de Buenos Aires divulgou um estudo que concluiu que mais da metade da populacao argentina é descendente de índigenas: El 56% de los argentinos tiene antepasados indígenas. E o jornalista Horacio Converti comenta: El portñisimo orgulho de sentirnos una parte de Europa en América latina disimula (mal) un pensamiento racista. Sentimos que lo indígena nos es ejeno (...) El estudio genético de la UBA socava ese prejuicio, lo deja sin sustento. "Ellos" son nosostros.

3- Enquanto o secretário de Financas argentino está na Itália para convencer os investidores de lá a aceitarem o futuro calote da dívida externa, um economista avisa: isso só vai ajudar o Brasil. A que los españoles eligieron a Brasil como país prioritario para dirigir sus inversiones en la región. Hay que ser tonto para no relacionar esa decisión con los estragos que les causamos con el default.

4- Na parte internacional, o jornal destaca a frase (de monumental sarcasmo) do soldado norte-americano Charles Graner, culpado dos abusos em Abu Ghraidb. Ele tenta explicar porque apareceu rindo nas fotos: Muchas cosas que hicimos eran tan extrañas que no era posible aceptarlas a menos que uno las considerase cómicas.

5- E na revista Viva, uma publicacao que vem junto com a edicao dominical do jornal, uma entrevista com o escritor José Saramago. Ele responde a banal pergunta de qual é a receita da felicidade em um casamento de 18 anos que leva com a jornalista Pilar del Rio: No hay una receta para uso de cualquier persona. Creo que cada pareja, si lo desea y si está para ello, se inventa sus propias claves. Una pareja es una tercera entidad. Yo digo que en lapareja hay tres: que es ella, él y la opareja.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 5:01 PM ::



1/15/2005



Bruno Moreschi conta:

Hoje um quadro de Pollock ficou cara a cara comigo no Museu de Bellas Artes de Buenos Aires.
Jackson Pollock tinha uma maneira pitoresca de pintar: molhava o pincel e deixava a tinta cair no quadro.

A sua explicacao: O destino eh o autor dos meus quadros.

A pintura de Pollock fica no fim de um corredor sem saida do museu. Depois dessa vista nada mais eh preciso.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 9:25 PM ::






Após receber duras críticas pelos abusos na prisão de Abu Ghraib por parte da organização humanitária Human Rights Watch, o ex-secretário de Segurança Interna dos EUA, Tom Ridge, mostrou que seu país não se importa mesmo com a opinião alheia. Em entrevista ontem à BBC, Ridge defendeu o uso da tortura. Em certos casos, claro.

Que os prisioneiros norte-americanos de Guantánamo e os possíveis suspeitos - e os culpados -por atos terroristas no Iraque são torturados, todo mundo sabe. Só falta legalizar.

Desnecessários até os advérbios usados por Ridge, que soam irônicos no atual contexto:
"Sob circunstâncias extremas poderia acontecer".
"Não acho que é 'se', acho que é uma questão de 'quando'".

Ridge também apela para justificativas fundamentadas na "natureza humana" do ato e na comparação com outras nações:

"Nas questões do dia-a-dia, não apenas os Estados Unidos, mas muitos aliados no mundo, fazemos o que podemos para compartilhar informações sobre esse tipo de ataques [terroristas]".

Mas imperdível mesmo é a foto do entrevistado. Mais autoritário, impossível. Ou possível demais.

Por Giovana Sanchez
(Farei a atualização do blog até a volta do Bruno, que está no Uruguai. Dúvidas ou comentários: gioveva@uol.com.br)

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 6:07 PM ::



1/14/2005


Algo me fascina em Buenos Aires: as pessoas adoram ler. E como muita gente compra livro, consequentemente eles sao baratos. E em um momento consumista gastei 50 pesos (quase o equivalente a 50 reais) so nos sebos da Avenida Corrientes. Segue a lista:

1- El coronel no tiene quien le escriba, Gabriel Garcia Marquez
2- Grandes textos del periodismo argentino
3- Tres livros da colecao "El lector de..." (uma especie de reuniao de entrevistas, ensaios e biografias de autores consagrados): Franz Kafka, Ernest Hemingway e Pablo Neruda.
4- La piel, Curzio Malaparte
5- Todo un hombre, Tom Wolfe

E algumas reproducoes de quadros do Mondrian e dos artistas argentino Carlos Gorriarena, Mondrian e Ernesto Bertani.


.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 11:15 PM ::






O que o Balanço de 2004 do Repórteres Sem Fronteiras fala sobre o Brasil: apenas uma linha.

"No México, Brasil e Peru, os assassinatos de jornalistas estão adquirindo uma nova dimensão preocupante".

Dois jornalistas morreram no Brasil em 2004.

.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 8:48 PM ::



1/13/2005


Bruno Moreschi direto de Buenos Aires conta uma história que nunca termina:

.::Triste América Latina::.

Todas as quintas as maes dos filhos desaparecidos na ditadura argentina choram e exigem explicacoes. Desde 1978 elas querem saber: (1) Quem matou seus filhos? (2) Quem ordenou a matanca? (3) E por que?

Tudo isso eu já sabia pelos livros de História, pelas aulas da querida professora Nelma e através do velho guia de viagem que carrego na minha viagem ao Cone Sul. Mas quando o teórico vê a aula passar diante dos seus olhos, a sensacao é praticamente indescritível. Vou tentar escrever.

Quando cheguei na Plaza de Mayo poucas pessoas tiravam fotos da Casa Rosada, da Catedral e do Museu Cabildo. Mas a cerca em volta da casa do presidente e a multidao de policias indicavam que em breve alguma coisa iria acontecer.

Eles foram descendo a Avenida Bolívar e invadiram a praca. Eram piqueiros, os desempregados argentinos que diariamente protestam contra a situacao economica. Eram pobres, muito pobres. Durante alguns poucos e inflados anos viveram um sonho europeu, hoje comem pao e água do diabo como qualquer típico latinoamericano. E depois que se experimenta vinho, nunca mais se quer beber suor.

Nas bancas da regiao o ministro Lavagna anunciava na capa do jornal Clarín: vamos dar o calote mesmo. Mas a notícia nao acalmava a multidao. Muitos deles nao sabem ler jornais.

Em seguida chegaram 18 senhoras com lencos brancos na cabeca. Montaram uma barraca, os turistas europeus compraram broches e camisetas. Poucos minutos depois, a volta comeca. As madres da Plaza de Mayo rodeam o monumento da praca. Enfileiradas, elas seguram uma faixa: No al pago de la deuda externa.

- Si no pagan, porque pidan - fala sozinho um conservador.

Eu me aproximo de duas madres. Anida usa um batom vermelho que mancha seus dentes. Beba, um óculos que quase preenche a cara. A semelhanca: Anida perdeu Antonio e Alberto, seus dois filhos ex-revolucionários, e Beba viu seu filho Pablo morrer com um tiro na cabeca.

Elas contam que nao querem vinganca, querem justica.
Elas revelam que nao tem mais esperanca em receber respostas dos militares.
Elas juram que vao protestar todas as quintas até o dia de suas mortes.
Elas justificam a atitude, porque um povo nao pode perder sua memória histórica.
Elas me abracam e mandam lembrancas para minha mae. Uma mae de sorte, segundo elas, porque dorme todos os dias com sensacao de ter vivo aquilo que pariu.

Eu sento na grama e escuto os choros daquelas senhoras.

A coisa é uma grande reuniao de círculos dentro de círculos.

No pontilhado externo: a repressao silenciosa dos policias.
No circulo maior: a nao mais esperanca dos piqueteiros numerosos e invisíveis.
No circulo médio: as madres provando que injustica é marca histórica na America Latina.
No circulo menor rodeado de pombos: o monumento da Praca.

Olhando tudo com um sorriso sarcástico, uma bandeira da Argentina hasteada na Casa Rosada. Contam que quando ela assim está, o presidente trabalha.

Mas nem nos círculos, nem nos pombos, nem na fortaleza real há esperanca. Só há sangue que foi ou será derramado.



.::por Bruno Moreschi::. Bruno Moreschi :: 7:27 PM ::